sexta-feira, 30 de setembro de 2011

8ª séries: “A NOVA (DES)ORDEM INTERNACIONAL PÓS-1989”

A queda do Muro de Berlim em 1989, talvez tenha sido o começo do fim da chamada Guerra Fria e o ponto de partida de um novo processo que ainda está se configuração no mundo que vive a passagem do século XX para o século XXI sem que haja ainda um entendimento claro da dinâmica deste novo processo em que passa a humanidade.
O Muro caindo foi simbolicamente também à queda de todo um projeto alternativo ao capitalismo, tal acontecimento foi resultado de profundas reformas políticas deflagradas na então URSS, mais significativamente a partir de 1985, quando o líder soviético Mikhail Gorbatchov subiu ao poder, e diante da estagnação em que a URSS se encontrava desde o inicio da década de 1980, distanciando-se em termos econômicos e tecnológicos dos países capitalistas, em especial de seus antagonistas mais diretos, os EUA, implementou neste processo de reforma do Estado Soviético duas políticas: a Glasnost (transparência administrativa) e a Perestroika (reconstrução da economia e da sociedade). Criando-se, assim, as condições para a democratização do regime soviético e o fim da ditadura do Partido Comunista. Isso implicou no desmantelamento do Pacto de Varsóvia em 1990 e o fim do próprio regime comunista na URSS em 1991.
Todos os regimes socialistas do Leste Europeu foram substituídos de forma pacifica ou violenta, esta última como no caso da Romênia, por democracias, processo que havia sido iniciado décadas antes, mas que na de 1980 tinha ganhado força, culminando com o fim da esfera de influência soviética na Europa oriental. A extinção da Alemanha Oriental e sua reunificação a Alemanha Ocidental foi o ápice do processo que desde então não teve mais como ser detido. Em 1990, sob as bênçãos dos EUA, a potência Alemanha renascia pela terceira vez das “cinzas”, em menos de 150 anos, no coração da velha, perplexa e conturbada Europa. A URSS ainda era uma potência militar, que tentava de todas as formas evitar uma ruptura descontrolada, negociando com as nações que a compunham, mas Moscou não era mais capital de um império, assim, em 1992, a URSS deu lugar a 15 novos países, tendo a Rússia como grande “herdeira” do poderio militar da extinta URSS, mas com status de país de segunda categoria no novo cenário mundial.
A chamada “Nova Ordem Mundial” que se consolidou com o fim da URSS tinha seus primeiros esboços ainda em 1989, apontado para uma nova fase da história contemporânea marcada pela existência de uma única superpotência, os EUA e multipolarização mundial, sob a forma de grandes blocos regionais, como a União Européia, o NAFTA e os “Tigres Asiáticos”.
Assim, a emergência de um mundo do colapso socialista, marca uma nova organização política tendo como base à democracia representativa como sistema político hegemônico e a economia de mercado, caracterizada pela mundialização da produção, da circulação e do sistema financeiro nunca antes vista na história. O capitalismo com tendências neoliberais, onde o mercado organiza e regula a economia, objetivando o maior lucro no menor espaço de tempo, torna-se fator principal da acentuação da desigualdade social, concentração de riqueza, proporcionando o surgimento de blocos econômicos internacionais, paralelo a isso as mega empresas transnacionais buscam aumentar seus lucros nos chamados países periféricos, desestruturando a indústria local e os organismos garantidores de assistência social. Neste processo, a informação passou a ser ferramenta mais importante em todos os campos da vida humana, fazendo com que quem possuir informação mais rapidamente tem mais poder. Isso fez com que os ritmos dos processos se acelerassem de tal modo nunca antes visto na História da humanidade. Juntamente com essa Globalização, crescem movimentos nacionalistas e religiosos que podem ser politicamente considerados de direita porque pregam a intolerância racial, nacional e religiosa, como por exemplo, os neonazistas e o fundamentalismo islâmico.
É neste mundo “sem fronteiras”, que os EUA bancam o “xerife do mundo”, por serem os mais ricos e mais forte militarmente, intervindo onde seus interesses são contrariados dentro do jogo global de poder, pois uma vez que desapareceu o inimigo declarado (comunismo) é necessário “criar” novos “personagens antagônicos”, num mundo cada vez mais desigual, onde o conflito entre capitalismo e comunismo cedeu lugar as contradições existentes entre o hemisfério norte, que reúne os países ricos e desenvolvidos e o hemisfério sul, onde está a maioria dos países pobres.

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