sábado, 16 de setembro de 2017

ENSINO MÉDIO: A Idade Média


Período que vai da queda do Império Romano no Ocidente em 476 d.C. até a tomada de Constantinopla (Império Romano no Oriente – Império Bizantino) em 1453
Periodização da Idade Média:
èAlta Idade Média:
·       Séc. V ao IX – momento de formação da sociedade feudal, que é o resultado da fusão entre o mundo germânico (bárbaros) e o romano.
·       Séc. IX ao XI – apogeu do Feudalismo (vive seu melhor momento)

èBaixa Idade Média:
·       momento de transição, ocorre com a crise do feudalismo;
·       Renascimento Comercial/Urbano – ocorre paralelamente a reabertura do mar Mediterrâneo (Cruzadas).
OBS.: para os romanos bárbaros eram aqueles indivíduos que não falavam a sua língua, não tinham sua cultura, nem tão pouco seguiam as suas leis. Dessa forma, esse modo de chamá-los era usado de maneira pejorativa, como forma de desprezá-los e denegrir sua imagem.
De todos os povos bárbaros, os Germânicos foram os que mais contribuíram para a formação da sociedade feudal, destacando-se entre eles o Reino dos Francos.
Migrações dos Bárbaros
·        Séc. IV – migrações pacíficas, os bárbaros, especialmente os germânicos, eram absorvidos (incorporados) ao Império Romano, sendo usados na defesa contra a invasão de outros bárbaros;
·        Séc. V – a segunda onda migratória se deu com de forma violenta com os povos bárbaros invadindo  Roma e substituindo a autoridade existente.

Fatores que impulsionaram os bárbaros contra Roma:
·        a busca por terras com clima mais favorável para as atividades de sua economia agropastoril è desejavam terras mais quentes para o cultivo, pois viviam em regiões muito frias;
·        a pressão dos Hunos (nômades saqueadores de origem asiática) è provocou a fuga dos povos bárbaros para dentro do Império, provocando um êxodo urbano com o  abandono das cidades do Império Romano, por medo de invasões e saques;
·        enfraquecimento das defesas de Roma, em função das crises internas è econômica, política e militar (disputa pelo poder entre os chefes dos exércitos);
·        característica natural dos germânicos a criação de Comitatus.
O Comitatus era uma espécie de contrato, no qual um grupo de guerreiros juravam fidelidade ao chefe militar, em troca de “heranças de guerra” (terras conquistadas). O objetivo único deste era a pilhagem, o saqueamento das cidades.
ò
É desse grupo que surgirá, no Feudalismo, a figura do Cavaleiro Medieval, que representava  um guerreiro que jurava fidelidade e lealdade ao seu senhor, protegendo seu feudo.
Quando os bárbaros conquistam o Império, o rei passa a ser apenas uma figura simbólica e com poder fragmentado. O ganho de terras pelos senhores da nobreza, que recebem também as imunidades, fez surgir “reinos” efêmeros e de administração própria.
Por fim, a invasão bárbara provoca uma mudança substancial na atividade econômica da Europa, que muda de mercantil para agropastoril de subsistência.
O Reino dos Francos

1º Ano
2º Ano
3º Ano
Campo 1
Trigo
Cevada
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Campo 2
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Trigo
Cevada
Campo 3
Cevada
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Trigo
Dinastia Merovíngia
·                    Séc. V – Clóvis centraliza o poder, dando início a dinastia merovíngia:
Clóvis converte-se ao catolicismo, estabelecendo uma aliança com a Igreja Católica que, ao legitimar o poder do rei, recebia a proteção militar dos francos contra o ataque de povos bárbaros não católicos;
Na Europa  Feudal a Igreja se tornou a instituição de maior importância.
Os reis francos também eram chamados de Reis Indolentes. Tal denominação lhes foi dada devido  a sua falta de controle sobre as terras doadas, demonstrando assim sua fragilidade.
Vale relembrar que era um antigo costume dos francos a doação de terras através do Benefício (doação de terra), concedendo-se ainda a Imunidade (garantia de não interferência por parte do rei).
As funções do rei ficavam transferidas para os Majordomus (prefeitos do palácio) è eles eram chefes militares, que passaram a ter grande poder no reino.
Dinastia Carolíngia
·                    Ano 732 – Carlos Martel, que era um majordomus, derrotou os mouros na Batalha de Poitiers, contendo o avanço dos muçulmanos sobre os reinos cristãos. 
O filho de Carlos Martel, Pepino – o Breve, derrotou os lombardos e doou territórios à Igreja è Patrimônio de São Pedro, na Itália. Com Pepino, o Breve, ocorre a deposição do último rei merovíngio, tendo início a Dinastia Carolíngia. Posteriormente o filho de Pepino, Carlos Magno, assumirá o Império Carolíngio.
Após sua vitória sobre os muçulmanos e com a doação de terrenos para a Igreja, esta instituição reconhece e apóia a Dinastia Carolíngia, legitimando-a.
·                    O Império de Carlos Magno:
Pode-se dizer que houve, com o Império Carolíngio, uma tentativa de restaurar o antigo Império Romano no Ocidente.
Carlos Magno tentou acabar com a fragmentação do poder na Europa, com a criação de um império forte e centralizador. Sua ação na conquista de terras de bárbaros e muçulmanos aumentou a extensão de seu reino è os povos conquistados eram cristianizados.
No ano 800 a Igreja, através do Papa Leão III coroa Carlos Magno imperador do novo Império Romano do Ocidente.
O mandatário da Igreja via na ampliação do reino franco uma possibilidade de expansão do cristianismo e o retorno à própria concepção de império, desaparecida desde a queda de Roma, no qual o poder imperial seria o anteparo da Igreja.
Carlos Magno foi responsável, portanto, por uma experiência centralizadora durante a conturbada Alta Idade Média. Ele tomou mão de algumas ações para manter o império unido em torno de seu nome, conseguindo fazê-lo enquanto permaneceu vivo.
Medidas adotadas por Carlos Magno para manter o poder centralizado:
1ª–                dividiu as terras do império em condados, ducados e marcas, estabelecendo com os nobres relações de lealdade e fidelidade, facilitando sua administração è dessa distribuição de terras é que se originam as relações de suserania e vassalagem. As marcas estavam localizadas nas fronteiras do Império – sen do os marqueses responsáveis pela defesa;
2ª–                instituiu a figura dos Missi Dominici (enviados do senhor) è enviados em número de dois, um da Igreja e outro da nobreza, tinham a responsabilidade de fiscalizar se as determinações reais estavam sendo cumpridas;
3ª–                criação das primeiras leis escritas da Idade Média – as Capitulares  è leis escritas que visavam uniformizar a administração do império.
Desenvolvimento Cultural:
·       Renascimento Carolíngio: cultura clássica romana influenciada pelo teocentrismo medieval è cultura Românica – a Igreja influenciava toda a produção cultural e todos os indivíduos na Idade Média.
Com a morte de Carlos Magno o Império é partilhado por seus filhos e depois pelos seus  netos, através do Tratado de Verdun (843).
Os nobres passam a ter crescente importância, devido ao fortalecimento de sua autonomia è consolidava-se nesse contexto o Feudalismo.
Feudalismo
OBS.: como Modo de Produção sistemático e organizado, o feudalismo somente teve lugar em parte da  Europa Ocidental,  durante a Idade Média, embora possamos perceber resquícios de feudalismo em outras regiões e em outros momentos históricos.
O período de formação e apogeu do Feudalismo é conhecido por Alta Idade Média. Tendo esse sistema se originado da fusão de dois mundos:
·                    Antigo Império Romano no Ocidente + Mundo germânico = Sociedade Feudal.
èEstruturas Romanas:
·        Vilas – grandes propriedades surgidas na crise do império, para onde a população fugia das invasões bárbaras. Tendiam a auto-suficiência è originaram os grandes feudos medievais.
·        Colonato –  a crise do trabalho escravo provoca o desabastecimento urbano è a população livre desempregada foge das cidades para o campo. O colono preso a terra trabalha em troca de uma parte do que ele produzir è vai originar a servidão medieval.
·        Cristianismo – sobrevive a queda de Roma è com o apoio dos francos a Igreja torna-se a principal instituição e a base ideológica da  sociedade feudal.
èEstruturas Germânicas:
·        Benefício – doação de terras è vai originar as relações de suserania e vassalagem.
·        Imunidades –  quem recebia o benefício estava imune a qualquer interferência em seus domínios è favorece a fragilização do poder real.
·        Comitatus – guerreiros juravam fidelidade em troca de terras conquistadas è origina a cavalaria medieval. O cavaleiro medieval ajudava a impor a autoridade aos camponeses desarmados.
·        Direito Consuetudinário – baseado  na tradição, nos hábitos e nos costumes. Cada senhor tem sua própria justiça, privada e não pública (do Estado).
Fatores conjunturais (momentâneos) que favoreceram a feudalização de Europa:
·       Séc. V –  queda de Roma e o surgimento dos pequenos reinos bárbaros è evoluindo para o feudalismo;
·       Séc. VIII e IX –  muçulmanos vindos do sul, vikings do norte e eslavos do leste è isolamento da Europa è surgimento do feudalismo;
·       Século IX – desagregação do Império Carolíngio através do Tratado de Verdun, favoreceu o fortalecimento do poder da nobreza local, em detrimento da autoridade central.
Características da Sociedade Feudal:
èPolíticas:
·       Poder descentralizado è a autoridade do rei era limitada pelos contratos de suserania e vassalagem.
OBS.: A relação entre suserano e vassalo é denominada  horizontal, pois ambos são homens da nobreza. Não devemos confundir a vassalagem com servidão, duas instituições distintas.
Relações de suserania e vassalagem – relações políticas.
Relações de senhores e servos – relações econômicas.
A terra era a principal fonte de poder e riqueza dentro do mundo feudal.
·        O suserano (doa o benefício, ou seja, o feudo) na maioria das vezes um pedaço de terra. O rei era considerado o suserano supremo,  mais seu poder era limitado pelos contratos de vassalagem.
·        O vassalo, nobre que recebia o benefício, em troca da lealdade ao seu suserano.
Os contratos entre suseranos e vassalos eram firmados através da: 
·        Homenagem – cerimônia-juramento de lealdade e fidelidade entre suserano e vassalo;
·        Investidura – entrega simbólica do feudo ao vassalo.
Tais cerimônias eram celebradas na presença dos homens do clero e diante das relíquias sagradas, o que comprova a importância do poder temporal da Igreja.

Obrigações entre suseranos e vassalos:
Suseranos:
·       conceder o feudo e garantir a hereditariedade;
·       dar proteção militar e judicial ao vassalo;
·       defender seu vassalo nos tribunais.
Vassalos:
·        prestar serviço militar nas tropas do seu suserano;
·        ajudar economicamente o suserano (casamento da filha, investidura do filho como cavaleiro, entre outros);
·        dar ao suserano e a sua comitiva abrigo nas viagens.
·        Ajudar no pagamento do resgate do suserano, caso esse caísse prisioneiro.
èEconômicas:
·       sua economia era agrária, tendendo para a auto-suficiência; com os feudos produzindo tudo aquilo que necessitavam;
·       comércio pouco significativo e a base de troca;
·       pouca circulação de moeda – economia amonetária;
·       não visava o lucro – a Igreja fazia a defesa do justo preço.

Divisão do Feudo:
Manso Senhorial:
Melhores terras, cultivadas pelos servos em benefício do senhor feudal. Localizavam-se aqui: castelo, moinho, forno, celeiro, lagar (vinho).
Manso Servil:
Piores lotes, em geral descontínuos, nos quais os servos viviam e retiravam o sustento.
Terras Comunais ou Manso Comunal:
Pastos, florestas, pomar, bosques – usadas por senhores e servos.
Nos feudos usava-se o sistema de rotação de culturas è visava descansar a terra, aumentando sua produtividade, conforme a tabela abaixo:
Vale observar que sempre um dos campos mantinha-se em descanso e não se repetia a mesma plantação em um mesmo campo dois anos seguidos.
Impostos Feudais:
Eram obrigações que os servos (camponeses) tinham para com os senhores feudais, onde destacavam-se:
Corvéia: Tributo pago em trabalho è de 3 a 5 dias por semana o servo trabalhava no manso senhorial.
Talha: Parte da produção dos servos era destinada ao senhor feudal.
Banalidades: Pagamento feito para o servo utilizar as instalações do manso senhorial.
Mão-morta: Taxa paga pelos herdeiros do servo para permanecerem no feudo.
Tostão de Pedro: Imposto pago à Igreja, em geral em ocasiões especiais.
OBS.: a idéia que se faz de que a Idade Média foi um período de prosperidade, onde os senhores feudais viviam luxuosamente não é verdadeira, afinal, os feudos não prosperavam na produção agrícola.
A deficiência das técnicas de plantio e a falta de ferramentas contribuíram para a baixa produtividade. Havia ainda o desinteresse em plantar excedentes, uma vez que produzir mais significava pagar tributos maiores.
èSociedade Feudal:
·       caracterizada como estamental, isto é, com categorias definidas e baixíssima mobilidade social è sociedade de ordens ou estamentos;
·       a posição na sociedade dependia da origem.
 


                   è camada   dominante: Clero e
                                                             Nobreza



           è camada dominada: Servos da Gleba – presos à terra e
Vilões – eram poucos e estavam livres do controle do feudo è podiam ter laços empregatícios com outros feudos.

èA Igreja Medieval:
·       principal instituição da Idade Média; base de sustentação ideológica daquela sociedade estamental. A Igreja regulava a vida das pessoas do nascimento à morte, interferindo em questões comportamentais, econômicas, políticas, sociais.
·       seu poder advinha de sua riqueza acumulada ao longo dos séculos e do fato de ser a detentora do monopólio do saber, em uma sociedade marcada pela existência de um grande número de pessoas iletradas.
Alto Clero:
De origem nobre, muitos afastavam-se dos princípios religiosos, estando mais voltados à riqueza, ao luxo, à terra e ao poder temporal.
Era comum a compra de cargos pelos filhos dos senhores feudais que não usufruiriam do direito de primogenitura (apenas o mais velho recebia a herança), dessa forma, os filhos mais novos dos nobres recebiam terras da Igreja para administrar.
Baixo Clero:
Composto por ordens mendicantes, resgatavam os votos religiosos, vivendo de acordo com a verdadeira religiosidade cristã.
Não concordavam com a postura do Alto Clero è vinham dos segmentos populares.
OBS.: em discordância com a postura da Igreja, voltada para as questões políticas e afastando-se dos princípios do cristianismo primitivo, surgiram as Ordens Mendicantes – Ordem Dos Franciscanos, criada por Francisco de Assis é das mais importantes.
Visava resgatar os verdadeiros valores cristãos e seus membros faziam votos de castidade, pobreza e caridade.
èA Inquisição:
Em 1229 é fundado o Tribunal do Santo Ofício (ou Santa Inquisição) è serviu de instrumento de perseguição à todos aqueles que ameaçassem de alguma forma os interesses da Igreja, sendo acusados de heresia.
A principal vítima da Inquisição foi a mulher, especialmente as bruxas. A figura feminina era vista como um instrumento do diabo para tentar a carne.
Etapas do Tribunal do Santo Ofício:
·        Captura – a comitiva inquisitorial identificava e aprisionava os acusados;
·        Processo inquisitorial – investigação em busca de provas da heresia (até marca no corpo servia) è o réu era submetido à tortura (onde muitos morriam) è o réu confesso era “perdoado” e enviado à pena máxima, ou seja, à execução;
·        Auto de fé – o herege era queimado vivo em praça pública è como forma de impor a ordem pelo terror, intimidando qualquer manifestação contrária a autoridade eclesiástica.
Esse ritual tinha como pretexto propiciar a purificação da alma através fogo.
èFilosofia na Idade Média:
·       Patrística – Alta Idade Média è Santo Agostinho: A fé supera a razão (grande presença da Igreja) è inspirado em Platão;
·       Escolástica – Baixa Idade Média è São Tomás de Aquino: possibilidade de conciliar a fé e a razão.

OBS.: essa diferença entre fé e razão em dois momentos distintos se deve aos seguintes motivos:
·                    na Alta Idade Média, a Igreja era a principal instituição;
·                    na Baixa Idade Média, a Igreja perde parte de seu poder, não sendo mais admitida como centro do poder, o renascimento comercial e urbano, proporcionou uma nova visão de mundo com o aparecimento de um novo grupo social – a burguesia.
A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média é assim chamada, por ser o período em que surgiram elementos que desencadearam a decadência do Feudalismo, tendo ocorrido entre os séculos XII e XV.
Elementos que contribuíram no esgotamento do sistema feudal:
·       crescimento demográfico;
·       produtividade insuficiente dos feudos;
·       marginalização social do excedente populacional
OBS.: os feudos produziam apenas o suficiente para o seu consumo, pois produzir mais significava pagar impostos maiores, sem falar que as técnicas predominantes no período eram limitadas è a produção não atendia o crescimento populacional.
 èAs Cruzadas:
Foram expedições militares organizadas a partir de uma orientação da Igreja, através do Concilio de Clermont, convocado pelo Papa Urbano II em 1095, tendo por objetivos:
·        religiosos – libertar a Terra Santa Jerusalém do domínio dos infiéis (muçulmanos);
·        econômicos – interesse dos mercadores italianos em restabelecer o comércio via Mediterrâneo;
A Igreja desejava dar vazão ao excedente populacional da Europa, uma vez que os marginalizados ameaçavam a própria existência do sistema feudal e do poder dessa instituição, que era grande detentora de terras;
·        político – tentativa de restabelecer a unidade do cristianismo, que havia se quebrado com a criação da Igreja Ortodoxa – Cisma do Oriente (ocorrido em 1054).
As motivações religiosas e políticas não se concretizaram, entretanto, foi possível restabelecer o comércio no Mediterrâneo (que era dominado pelos muçulmanos), causando profundas alterações no sistema feudal.
 è O Renascimento Comercial e Urbano:
Beneficiou especialmente os comerciantes das cidades italianas do Mediterrâneo que estabeleceram entrepostos comerciais com o Oriente, de onde traziam as especiarias e os artigos de luxo – dinamizando o comércio europeu.
Novos pólos de comércio na Europa:
Rotas Marítimas – Rota do Mediterrâneo e Rota dos Mares Báltico e do Norte.
Rota do Mediterrâneo – controlada pela burguesia mercantil de Gênova e Veneza.
Rota dos Mares Báltico e do Norte – controladas pelos comerciantes flamengos (habitantes da região de Flandres – atuais Holanda e Bélgica) e por mercadores da Liga Hanseática, sediada em Lubeck e congregava as cidades alemãs.
Rota Terrestre – principal Rota da Champagne, que interligava a região de Flandres às cidades italianas. Ao longo da Rota da Champagne surgiram as principais feiras medievais – comércio itinerante que ajudou a estimular práticas mercantis, o uso da moeda, a usura e a idéia de busca do lucro.
OBS.: Muitas dessas feiras foram sedentarizando e acabaram por transformar-se em cidades, denominadas de burgos, protegidas por muralhas, onde vivia a burguesia.
Burguesia – grupos sociais surgidos com a transição feudo-capitalista, a partir da Baixa Idade Média. Não utilize tal conceito para se referir a comerciantes de períodos anteriores, como a Antigüidade.
Corporações de Ofício – associações de profissionais, típicas das cidades da Baixa Idade Média, reunindo associados de uma mesma função. Estavam hierarquizadas da seguinte forma: mestre artesão, jornaleiro e o aprendiz.
Objetivos das corporações:
·        manter o controle sobre a produção de um determinado setor, evitando a concorrência externa;
·        estabelecer controle da qualidade dos produtos, preço e salários dos jornaleiros;
·        garantir ajuda aos associados doentes, inválidos, viúvas e órfãos;
·        promover eventos religiosos, aproximando-se da Igreja e festividades para os associados;
·        proteger os associados contra os abusos do poder.
Emancipação política das cidades:
As cidades surgiram em terras pertencentes aos feudos, estando submetidas à autoridade dos senhores feudais. Com o crescimento urbano iniciaram o processo de emancipação política, através de:
·        Cartas de Franquia – os habitantes das cidades negociavam um acordo monetário com o senhor feudal em troca da independência, comprando as cartas de franquia.
·        Movimento Comunal – a emancipação  das cidades se dava através de luta armada contra a nobreza feudal.
èA crise final do Feudalismo (séc XIV e XV):
Essa crise foi caracterizada pela fome, peste e guerra.
·        Grande Fome – ocorre nas primeiras décadas do século XIV, causada por problemas climáticos, provocando a redução das colheitas, aumentando a fome. Essa escassez de alimentos debilitou ainda mais a população européia, que ficou mais vulnerável à doenças;
·        Peste Negra – peste bubônica (transmitida por ratos), dizimou 1/3 da população européia (aproximadamente 25 milhões de pessoas), sendo trazida do Oriente pelos navios dos mercadores italianos. Ela se proliferou pelo continente em razão das precárias condições de higiene e saneamento das cidades européias.
Surgem no continente europeu as irmandades flagelantes. Estas eram compostas por peregrinos que viajavam à pé pela Europa, rezando e chamando as pessoas para penitência e a auto-flagelação è imaginavam que a doença era provocada pela ira de Deus;
·        Guerra dos Cem Anos – travada entre os as nobres ingleses e franceses, foi causada pela disputa do trono da França e pelo interesse inglês no controle da região de Flandres (região produtora de artigos de lã);
A guerra provocou a decadência dos nobres (mortes e gastos), favorecendo a centralização do poder real e estimulou o sentimento nacionalista – Joana D’arc.
OBS.: As dificuldades provenientes da crise pela qual passava a Europa feudal acabou por estimular as revoltas camponesas, contra a superexploração imposta aos servos, favorecendo também à crise do feudalismo.
O feudalismo deixa de ser predominante na Europa, mas ainda vão existir resquícios em várias regiões do continente entre os séculos XV e XVIII. Na Rússia, no século XIX, ainda era percebido o trabalho servil.
èA formação dos Estados Nacionais:
(Reis + burguesia x nobreza + Igreja feudal)
·                    Aos reis interessava a consolidação de sua autoridade por todo o reino e a definição de suas fronteiras, impondo sua autoridade sobre o particularismo dos feudos (nobreza) e o universalismo da Igreja (clero);
·                    A burguesia pretendia superar os entraves feudais (variadas moedas, leis, medidas e impostos) para melhor exercer seu comércio;
·                    Tanto Igreja, quanto nobreza desejavam manter seus poderes e privilégios.
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Para garantir a governabilidade, os reis buscavam o equilíbrio entre as forças que compunham o Estado.

É importante lembrar que os reis eram de origem nobre, portanto o Estado que se forma a partir da aliança rei+burguesia, não ignorou a nobreza e o clero, que mantiveram privilégios dentro dessa nova ordem – Estado Nacional Moderno.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ENSINO MÉDIO: A árvore genealógica dos partidos políticos do Brasil

A árvore genealógica dos partidos políticos do Brasil



Quem nunca teve a curiosidade de desenhar a árvore genealógica de sua família? Ainda mais sendo oriundo de uma família de imigrantes (alemã, italiana, etc). Aquela ‘pontinha’ de curiosidade, que ajuda a pensar “de onde venho e para onde vou”? Pois nestes últimos dias, resolvi me debruçar sobre a história dos partidos políticos brasileiros e fazer o mesmo.
– Brasil Império e República Velha
Para começo de conversa, durante o Brasil Império (1822-1889), dois partidos “de direita”, que defendiam a manutenção da escravatura, bipolarizaram o poder: Partido Liberal e Partido Conservador. O cenário só começou a mudar com a aparição dos Partidos Republicanos. Não existia uma união nacional nesta época, com os quadros sendo formados dentro dos Estados (o Partido Republicano Paulista, o Mineiro, e o Riograndense, de Júlio de Castilhos, por exemplo). Estes dominaram o palco principalmente a partir da Proclamação da República e estabelecendo a política do ‘café com leite‘, com paulistas e mineiros se revezando no poder. É preciso compreender que neste período não havia o sufrágio universal. Ou seja, mulheres e pobres não iam às urnas. Portanto, as referências políticas eram pessoas da elite social.

– Era Vargas
Oriundo do PRR (Partido Republicano Riograndense), o gaúcho Getúlio Vargas chegou à presidência em 1930 graças a um golpe de Estado que interrompeu o revezamento de paulistas e mineiros. Quatro anos depois, promulgou uma nova Constituição, impondo entre outras coisas o voto secreto, o voto às mulheres e direitos trabalhistas. Com a implantação do Estado Novo (nada mais do que uma ditadura populista), viu as oposições se radicalizarem entre extrema-direita e extrema-esquerda: Ação Integralista Brasileira (AIB), que defendia um governo fascista; e Aliança Nacional Libertadora (ANL), formada por integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Aliás, este último, conhecido como ‘Partidão’, foi o primeiro viés de esquerda na política nacional, fundado ainda em 1922, acabou sendo tornado ilegal por muitos dos governos que assumiram o país. Apesar de fortes revoluções organizadas por essas duas frentes, Vargas manteve-se na presidência até 1945. Voltaria eleito cinco anos depois, mas antes ainda foi o avalizador de dois partidos que seriam fundados: PSD (Partido Social Democrático) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – pelo qual se filiou. No espectro oposto, surgiria a UDN (União Democrática Nacional), uma herdeira dos Partidos Conservador e Liberal. Seria a principal oposição ao governo getulista até seu suicídio em 1954.

– Ditadura Militar
Com o golpe militar de 1964, apoiado inicialmente pela UDN para derrubar o governo trabalhista de João Goulart (‘filho político’ de Getúlio), todos os partidos – da esquerda à direita – entraram na ilegalidade. Do PCdoB (Partido Comunista do Brasil, herdeiro do PCB), passando pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro, encontro de ideologias entre PCB e PTB), PDC (Partido Democrata Cristão) e alcançando até a própria UDN. Permitia-se apenas a adesão a duas vertentes: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Era como se, de uma hora para outra, a política nacional voltasse ao período do Brasil Império, onde vigoravam apenas os liberais e conservadores. Os quadros da centro-esquerda foram forçados ao exílio (como o petebista Leonel Brizola), enquanto os da extrema-esquerda assumiram a ilegalidade para criar grupos armados – ALN (Aliança Libertadora Nacional), MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), entre outros.

– Reabertura política

Diante das manifestações populares pelo fim dos governos militares, foram surgindo novos partidos. Com o DNA getulista, Brizola fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Este ainda recebeu alguns componentes dos grupos revolucionários, enquanto a maioria acabou migrando para o recém fundado Partido dos Trabalhadores (PT), encontrando-se com líderes de movimentos sindicais. Com o desprestígio da ARENA, surgiu o PDS (Partido Democrático Social), que passaria a abrigar aqueles políticos que governaram sob o guarda-chuva militar, como José Sarney. O MDB, por sua vez, foi quem surfou a onda da abertura política, sendo a cara da recente democracia brasileira. Velhos partidos, como PCdoB, PSB e PTB também foram reativados, mas já desvirtuados das ideologias que os havia fundado.

– Coligações e fisiologismo

A partir da década de 90, os partidos foram se multiplicando. Da direita, saíram do PDS o PFL (Partido da Frente Liberal, hoje DEM), PPB (Partido Progressista Brasileiro, hoje apenas PP) e PRN (Partido da Reconstrução Nacional, hoje PTC) – que elegeria Fernando Collor nas primeiras eleições diretas. Do gigantesco PMDB, surgiria principalmente o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Do PT, acabariam migrando vertentes radicais de esquerda, como PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), PCO (Partido da Causa Operária) e mais recentemente PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). O impeachment de Collor em 1992, no entanto, influenciaria ainda mais o fisiologismo na vida democrática brasileira. A troca constante de partidos – como do então vice-presidente Itamar Franco, que chegaria ao seu 5º partido ao assumir a presidência (PTB, MDB, PL, PRN e PMDB) – denunciava a falta de fidelidade a uma raiz ideológica. Além disso, o sistema presidencialista de coalizão insuflou as coligações antes inimagináveis. O ‘tucano’ Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ex-MDB, coligou com o PFL (dissidência do PDS e ARENA) para vencer as eleições de 1994 e 1998. Já o petista Lula uniu-se com o PL para fazer o mesmo em 2002 e 2006. Quando que os liberais do Brasil Império imaginariam que seus herdeiros políticos um dia uniriam forças com trabalhadores de movimentos sindicais? Da fusão dessa coligação improvável, por exemplo, saiu o atual SD (Solidariedade), que tem como presidente o deputado Paulinho da Força Sindical – um ex-petista, que se tornou uma das principais bases de apoio ao recente impeachment de Dilma Rousseff. Outra obra do fisiologismo é o recém criado Rede Sustentabilidade, capaz de abrigar a fundadora Marina Silva, ex-PT e PV (Partido Verde); Randolfe Rodrigues, ex-PSOL; Miro Teixeira, ex-PP, PDT e PROS (Partido Republicano da Ordem Social); e João Derly, ex-PCdoB. Isso sem falar no PSC (Partido Social Cristão), herdeiro do antigo PDC extinto pela ditadura militar, mas que já lançou a pré-candidatura de Jair Bolsonaro, um entusiasta do regime militar. Mas talvez o ‘filho mais bastardo’ da política brasileira seja o PR (Partido da República), nascido da fusão entre PL e PRONA (Partido da Reedificação da Ordem Nacional) – pensado e criado pelo ultranacionalista Enéas Carneiro, primo distante do integralista Plínio Salgado. Mesmo assim, não exitou em coligar com o PT nas eleições de Dilma. Sendo assim, à esta altura, onde ninguém mais sabe quem é o inimigo ou amigo na trincheira, urge uma reforma na política brasileira. Ou sigam degustando essa sopa de letrinhas promíscuas e indigestas.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

8º ano: Revolução Francesa

       Revolução Francesa foi o conjunto de eventos que, de 1789 a 1799, alterou o quadro político e social da França, até então dominada pelo Antigo Regime. É considerado um marco na história, iniciando o que chamamos de Idade Contemporânea.
Causas
Uma revolução não ocorre do nada. Dentre as principais causas da Revolução Francesa, podemos destacar:
1- Custo da monarquia: o rei Luís XVI e a sua corte gastavam enormes quantias para sustentar seus privilégios.
2- Idéias iluministas: os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade influenciaram os rumos da revolução, desde o início.
3- Gastos com guerras: a França participou da Guerra da Independência dos Estados Unidos (Treze Colônias) e perdeu a Guerra dos Sete Anos, contra a Inglaterra.
4- Crise econômica: os gastos da monarquia, as guerras, assim como a escassez na agricultura, aumentaram a miséria, a fome e o descontentamento dos franceses.
Divisão da sociedade francesa
A divisão da sociedade francesa também pode ser considerada causa da revolução, pois não havia mobilidade social. A sociedade era dividida em três estados:
1- Primeiro estado: Clero (0,5%)
2- Segundo estado: Nobreza (1,5%)
3- Terceiro estado: Povo (incluindo a burguesia, somavam 80%)
Os privilégios se concentravam nas mãos do clero e da nobreza, que oprimiam o terceiro estado. Além disso, apenas o terceiro estado pagava impostos. Porém, este dinheiro não estava sendo suficiente para sustentar o custo do estado francês.
Assembléia dos Estados Gerais
Para tentar resolver os problemas econômicos da França, o rei Luís XVI convocou a Assembléia dos Estados Gerais.
Esta assembléia reunia membros dos três estados. Naquele momento, o objetivo era fazer a nobreza e o clero também pagar impostos. Seria feita, então, uma votação, que poderia ocorrer de duas maneiras: por estado ou por cabeça.
A votação por estado, ou seja, um voto por estado, agradava a nobreza, pois, obtendo apoio do clero, sempre vencia o povo nas decisões. Eram dois votos contra um. Já a votação por cabeça, considerando a decisão individual na assembléia, agradava ao povo. Isto porque, sendo maioria, garantiria a vitória dos seus interesses.

Sem conseguir conciliar os interesses dos três estados – e sem tomar decisão alguma – Luís XVI mandou fechar a Assembléia.
Descontentes, o terceiro estado – liderados pela burguesia – exigiu a criação de uma constituição para a França. O povo saiu às ruas. A manifestação do povo chegou à Bastilha, prisão política da monarquia francesa. Considera-se que o povo invadiu esta prisão com objetivo de se apoderar da pólvora lá existente. Assim, a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, se tornou o símbolo do início da Revolução Francesa.
Assembléia Nacional Constituinte
Ocorrida de 1789 a 1791, a Assembléia Nacional Constituinte foi aberta com o objetivo de criar uma Constituição na França. Foi criada também a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que defendia o direito à liberdade e à igualdade jurídica. Outras mudanças que ocorreram foi a abolição do regime feudal, da sociedade estamental e a separação entre Igreja e Estado.
Monarquia Constitucional
Em setembro de 1791, foi promulgada a primeira Constituição da França que resumia as realizações da Revolução. Foi implantada uma monarquia constitucional, isto é, o rei perdeu seus poderes absolutos e criou-se uma efetiva separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Além disso, foram concedidos direitos civis completos aos cidadãos.
Na prática, a maior parte destas reformas vinham ao encontro dos interesses da alta burguesia, que tentava, com êxito, eliminar os vestígios do Antigo Regime na França.
As monarquias absolutistas da Europa formaram uma aliança destinada a restaurar, na França, os poderes absolutos de Luís XVI. O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta foram presos, acusados de traição ao país por colaborarem com os invasores. Abril de 1792: Declaração de guerra à Áustria e à Prússia; exércitos inimigos chegam a ameaçar a cidade de Paris.
Convenção Nacional
Ocorrida de 1792 a 1794, a Convenção Nacional é considerada a fase mais radical da Revolução Francesa. Nesta fase, proclamou-se a República e a burguesia se subdividiu em grupos com interesses distintos.
Assim, surgiu os Jacobinos, que representavam a pequena burguesia, e o Girondinos, que representavam a alta burguesia.
Os Jacobinos sentavam-se à esquerda nas assembléias e queriam que a revolução se espalhasse por todos os lugares possíveis.
Já os Girondinos, com medo da reação do povo, queriam que a revolução tivesse fim. Eles sentavam-se à direita na assembleia.
Havia ainda o grupo do pântano ou planície, cujos membros não tinham posições bem definidas, ocupavam o centro das assembleias.
Os Jacobinos se sobressaíram, perseguindo e executando opositores, e instalando o que se denomina período do Terror (perseguição e execução na guilhotina dos suspeitos de trair os ideais da revolução) Em 1793, Luís XVI foi executado na guilhotina, sepultando de vez a monarquia absolutista.
Diretório
Ocorrido de 1795 a 1799, o Diretório foi uma fase conservadora, fruto de um golpe dos Girondinos para retomar o poder na França.
Com a França imersa no caos, e sob a ameaça de ataques internos e externos, a alta burguesia articulou entregar o poder a alguém influente e poderoso. Esse alguém foi Napoleão Bonaparte, general do exército francês que venceu várias batalhas contra os exércitos de países absolutistas que queriam terminar com a onda revolucionaria que começou na Franca, que, a partir de 1799, começou a governar a França.