sábado, 23 de março de 2019

EGITO E MESOPOTÂMIA

O CRESCENTE FÉRTIL:
         Berço das primeiras civilizações;
         Atual Iraque até Egito;
         Grandes rios;
         Terras férteis.
         Impérios TEOCRÁTICOS de REGADIO;
-          Líder = Deus ou representante dele;
-          Aproveitamento de cheias dos rios 
-        Civilizações fluviais;
         MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO:
-          Estado = dono das terras;
-          População = obras públicas e produção em geral sob forma de servidão coletiva;
-        Obrigações básicas: pagamento de impostos, serviço militar e produção;

         Recursos agrícolas distribuídos pelo Estado.

egito
Mesopotâmia
·             Rio Nilo – “Egito uma dádiva do Nilo”. O ciclo das águas nesta região promovia o regular transbordamento do rio que, durante a seca, deixava um rico material orgânico na superfície de suas terras. Percebendo tal alteração, os egípcios tiveram a capacidade de desenvolver uma civilização próspera que se ampliou graças às fartas colheitas realizadas. Dessa forma, temos definido o processo de desenvolvimento e expansão dos egípcios.
·             Defesas Naturais: Desertos, Mar Mediterrâneo, Mar Vermelho;

·             “Terra entre rios” – Tigre e Eufrates.
·             Região de passagem entre o oriente e o ocidente: disputada.
·             Alta Mesopotâmia: Norte à Montanhosa
·             Média e Baixa Mesopotâmia à Centro e Sul: o mesmo processo de enchentes do rio Nilo no Egito.

- Comunidades primitivas = GENS;
- União de GENS = NOMOS (Nomarca = líder);
- União de NOMOS = REINOS (ALTO e BAIXO);
- União de REINOS = IMPÉRIO (Menés – 1º faraó)

Antigo Império (3200 – 2300 a.C);
·             Tínis e Mênfis;
·             Grandes pirâmides e obras de irrigação;
·             ESTADO + altos funcionários = controle administrativo;
·             Revoltas no final do período (altos impostos e trabalho excessivo);

Médio Império (2000 – 1580 a.C);
·             Tebas;
·             Faraós   X         Nomarcas;
·             Entrada de Hebreus no Egito;
·             Invasão dos Hicsos (introdução de cavalos e metalurgia).

Novo Império (1580 – 517 a.C);
·             Tebas;
·             Xenofobia e militarismo;
·             Escravização de hebreus (ÊXODO – retirada de hebreus do Egito);
·             Conquistas territoriais (Palestina, Fenícia e Síria);
·             Tentativa monoteísta (Amenófis IV – Aton);

Em 525 a.C., os persas conseguiram conquistar os egípcios no momento em que se vivia um período de instabilidade, marcado por diversas revoltas camponesas. Nos séculos seguintes, os egípcios foram alvo da dominação de outros diferentes povos: gregos, macedônios e romanos.
Sucessão de vários povos:
·             Sumérios:
         Origem semita
         Fundaram as primeiras cidades mesopotâmicas: Ur, Uruk e Lagash
         Formaram cidades-Estado governadas pelo patesi (supremo-sacerdote e chefe militar absoluto)
         Estabeleceram relações comerciais com vários povos da costa do Mediterrâneo e do Vale do Indo
         Criaram a escrita cuneiforme

·                 Acádios:
         Origem semita
         2300 a.C. à Sargão I: unificou politicamente a mesopotâmia
“Soberano dos quatro cantos do mundo”

·             1º Império Babilônico (2000 – 175 a.C):
         Séc. XVIII a.C. à Império de Hamurábi
Unificou a Mesopotâmia
Código de Hamurábi: “Lei de Talião” à “olho por olho, dente por dente”
         Hamurábi: transformou “Marduk” na principal divindade da Mesopotâmia
         Morte de Hamurábi à invasão dos hititas e cassitas

·             Assírios:
         Estado militarizado à cultura de guerra: ligada à religião (Deus Assur)
         Governo de Sargão II à conquistaram o Reino de Israel
         Governo de Assurbanipal à máxima extensão da Mesopotâmia
Conquistou o Egito

·             2º Império Babilônico ou Caldeu (612 – 539 a.C.)
         Governo de Nabucodonosor:
Derrotou os assírios
-          Determinou a construção dos Jardins Suspensos da Babilônia à homenagem ao Deus Marduk
-          Expandiu o império: dominou a Fenícia, Síria e Palestina
-          Escravizou os hebreus à “Cativeiro da Babilônia”
-          Morte de Nabucodonosor (539 a.C.) à Conquista persa liderada por Ciro, o “Grande”

Economia:
·              Agrícola;
·             Comércio interno e externo (navegação pelo Nilo)
·             Servidão coletiva;
·             Propriedade da terra = Faraó (governo)
Economia:
·             Agrícola (principal), com comércio e artesanato desenvolvidos;
·             Servidão coletiva;
·             Propriedade da terra = deuses (governo e templos)

Sociedade:
·             Faraó (considerado um deus vivo) e sua família
·             Sacerdotes, altos funcionários e nobreza.
Dominantes, detinham o poder de quatro formas básicas de manifestação desse poder: riqueza, política, militar e saber.

·             Camponeses (felás) e escravos (normalmente presos de guerra estrangeiros).
Dominados, consumiam diretamente o que produziam e eram obrigados a entregar excedentes para os dominantes



Sociedade:
·             Dominantes: governantes, sacerdotes, militares e comerciantes.
Detinham o poder de quatro formas básicas de manifestação desse poder: riqueza, política, militar e saber. Posição mais elevada era do rei que detinha poderes políticos, religiosos e militares. Ele não era considerado um deus, mas sim representante dos deuses.

·             Dominados: camponeses, pequenos artesãos e escravos (normalmente presos de guerra).
Consumiam diretamente o que produziam e eram obrigados a entregar excedentes para os dominantes

Religião:
·             Politeísta,
·             Antropozoomórfica,
·             Culto a diversos animais (vaca, touro, gato, crocodilo...),
·             AMON-RÁ (Sol) – principal Deus,
·             Crença na vida pós-morte;

Religião:
·             Politeísta,
·             Deuses = fenômenos naturais, sem crença de vida após a morte, cerimoniais visando recompensas terrenas;
·             Embora cada cidade tivesse sua divindade, havia deuses cultuados em toda a Mesopotâmia
·             Sacerdote: representava os deuses – combinava poder político com religioso: responsável pela adoração dos deuses


Cultura:
·             Conhecimentos de medicina, anatomia, técnicas de mumificação,

·             Calendário solar com o ano dividido em 12 meses de 30 dias, 

·             Arquitetura grandiosa especializando-se em obras hidráulicas e religiosas,

·             Pintura sem utilização de perspectiva voltada para a religião,

·             Escrita de 3 tipos: HIEROGLÍFICA, HIERÁTICA e DEMÓTICA. Escrita Ideográfica à objeto representado expressava uma ideia


Cultura:
·             ESCRITA CUNEIFORME
-          Origem sumeriana à mas usada pelos assírios, sumérios, sírios, hebreus e persas
-          Origem: religiosa à forma de cunha
-          Escrita Ideográfica à objeto representado expressava uma ideia

·             CÓDIGO DE LEIS
-          Continha 282 leis: questões sobre comércio, propriedade, família, herança, escravidão
-          Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente” à a punição deve ser idêntica/proporcional ao delito cometido

·             Zigurates: templos religiosos

·             Astronomia: Sacerdotes grandes conhecedores de astronomia. Ligada à Astrologia. Torres dos Templos: observatórios astronômicos. Conheciam a diferença entre os planetas e as estrelas
Dividiram o ano em 12 meses, os meses em semanas, as semanas em 7 dias

·             Matemática:
Conheciam a multiplicação e a divisão
Dominavam operações de raízes quadradas e cúbicas
Dividiram o círculo em 360 graus

·             Medicina:
Catalogação de plantas medicinais
Medicina: ligada à adivinhação à mas não era confundida com a simples magia
Médicos: trabalhava junto com os adivinhos à para diagnosticar os males
Acreditavam que todos os males não tinham origem sobrenatural à utilizavam plantas e faziam intervenções cirúrgicas

sábado, 16 de setembro de 2017

A Idade Média


Período que vai da queda do Império Romano no Ocidente em 476 d.C. até a tomada de Constantinopla (Império Romano no Oriente – Império Bizantino) em 1453
Periodização da Idade Média:
èAlta Idade Média:
·       Séc. V ao IX – momento de formação da sociedade feudal, que é o resultado da fusão entre o mundo germânico (bárbaros) e o romano.
·       Séc. IX ao XI – apogeu do Feudalismo (vive seu melhor momento)

èBaixa Idade Média:
·       momento de transição, ocorre com a crise do feudalismo;
·       Renascimento Comercial/Urbano – ocorre paralelamente a reabertura do mar Mediterrâneo (Cruzadas).
OBS.: para os romanos bárbaros eram aqueles indivíduos que não falavam a sua língua, não tinham sua cultura, nem tão pouco seguiam as suas leis. Dessa forma, esse modo de chamá-los era usado de maneira pejorativa, como forma de desprezá-los e denegrir sua imagem.
De todos os povos bárbaros, os Germânicos foram os que mais contribuíram para a formação da sociedade feudal, destacando-se entre eles o Reino dos Francos.
Migrações dos Bárbaros
·        Séc. IV – migrações pacíficas, os bárbaros, especialmente os germânicos, eram absorvidos (incorporados) ao Império Romano, sendo usados na defesa contra a invasão de outros bárbaros;
·        Séc. V – a segunda onda migratória se deu com de forma violenta com os povos bárbaros invadindo  Roma e substituindo a autoridade existente.

Fatores que impulsionaram os bárbaros contra Roma:
·        a busca por terras com clima mais favorável para as atividades de sua economia agropastoril è desejavam terras mais quentes para o cultivo, pois viviam em regiões muito frias;
·        a pressão dos Hunos (nômades saqueadores de origem asiática) è provocou a fuga dos povos bárbaros para dentro do Império, provocando um êxodo urbano com o  abandono das cidades do Império Romano, por medo de invasões e saques;
·        enfraquecimento das defesas de Roma, em função das crises internas è econômica, política e militar (disputa pelo poder entre os chefes dos exércitos);
·        característica natural dos germânicos a criação de Comitatus.
O Comitatus era uma espécie de contrato, no qual um grupo de guerreiros juravam fidelidade ao chefe militar, em troca de “heranças de guerra” (terras conquistadas). O objetivo único deste era a pilhagem, o saqueamento das cidades.
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É desse grupo que surgirá, no Feudalismo, a figura do Cavaleiro Medieval, que representava  um guerreiro que jurava fidelidade e lealdade ao seu senhor, protegendo seu feudo.
Quando os bárbaros conquistam o Império, o rei passa a ser apenas uma figura simbólica e com poder fragmentado. O ganho de terras pelos senhores da nobreza, que recebem também as imunidades, fez surgir “reinos” efêmeros e de administração própria.
Por fim, a invasão bárbara provoca uma mudança substancial na atividade econômica da Europa, que muda de mercantil para agropastoril de subsistência.
O Reino dos Francos

1º Ano
2º Ano
3º Ano
Campo 1
Trigo
Cevada
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Campo 2
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Trigo
Cevada
Campo 3
Cevada
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Trigo
Dinastia Merovíngia
·                    Séc. V – Clóvis centraliza o poder, dando início a dinastia merovíngia:
Clóvis converte-se ao catolicismo, estabelecendo uma aliança com a Igreja Católica que, ao legitimar o poder do rei, recebia a proteção militar dos francos contra o ataque de povos bárbaros não católicos;
Na Europa  Feudal a Igreja se tornou a instituição de maior importância.
Os reis francos também eram chamados de Reis Indolentes. Tal denominação lhes foi dada devido  a sua falta de controle sobre as terras doadas, demonstrando assim sua fragilidade.
Vale relembrar que era um antigo costume dos francos a doação de terras através do Benefício (doação de terra), concedendo-se ainda a Imunidade (garantia de não interferência por parte do rei).
As funções do rei ficavam transferidas para os Majordomus (prefeitos do palácio) è eles eram chefes militares, que passaram a ter grande poder no reino.
Dinastia Carolíngia
·                    Ano 732 – Carlos Martel, que era um majordomus, derrotou os mouros na Batalha de Poitiers, contendo o avanço dos muçulmanos sobre os reinos cristãos. 
O filho de Carlos Martel, Pepino – o Breve, derrotou os lombardos e doou territórios à Igreja è Patrimônio de São Pedro, na Itália. Com Pepino, o Breve, ocorre a deposição do último rei merovíngio, tendo início a Dinastia Carolíngia. Posteriormente o filho de Pepino, Carlos Magno, assumirá o Império Carolíngio.
Após sua vitória sobre os muçulmanos e com a doação de terrenos para a Igreja, esta instituição reconhece e apóia a Dinastia Carolíngia, legitimando-a.
·                    O Império de Carlos Magno:
Pode-se dizer que houve, com o Império Carolíngio, uma tentativa de restaurar o antigo Império Romano no Ocidente.
Carlos Magno tentou acabar com a fragmentação do poder na Europa, com a criação de um império forte e centralizador. Sua ação na conquista de terras de bárbaros e muçulmanos aumentou a extensão de seu reino è os povos conquistados eram cristianizados.
No ano 800 a Igreja, através do Papa Leão III coroa Carlos Magno imperador do novo Império Romano do Ocidente.
O mandatário da Igreja via na ampliação do reino franco uma possibilidade de expansão do cristianismo e o retorno à própria concepção de império, desaparecida desde a queda de Roma, no qual o poder imperial seria o anteparo da Igreja.
Carlos Magno foi responsável, portanto, por uma experiência centralizadora durante a conturbada Alta Idade Média. Ele tomou mão de algumas ações para manter o império unido em torno de seu nome, conseguindo fazê-lo enquanto permaneceu vivo.
Medidas adotadas por Carlos Magno para manter o poder centralizado:
1ª–                dividiu as terras do império em condados, ducados e marcas, estabelecendo com os nobres relações de lealdade e fidelidade, facilitando sua administração è dessa distribuição de terras é que se originam as relações de suserania e vassalagem. As marcas estavam localizadas nas fronteiras do Império – sen do os marqueses responsáveis pela defesa;
2ª–                instituiu a figura dos Missi Dominici (enviados do senhor) è enviados em número de dois, um da Igreja e outro da nobreza, tinham a responsabilidade de fiscalizar se as determinações reais estavam sendo cumpridas;
3ª–                criação das primeiras leis escritas da Idade Média – as Capitulares  è leis escritas que visavam uniformizar a administração do império.
Desenvolvimento Cultural:
·       Renascimento Carolíngio: cultura clássica romana influenciada pelo teocentrismo medieval è cultura Românica – a Igreja influenciava toda a produção cultural e todos os indivíduos na Idade Média.
Com a morte de Carlos Magno o Império é partilhado por seus filhos e depois pelos seus  netos, através do Tratado de Verdun (843).
Os nobres passam a ter crescente importância, devido ao fortalecimento de sua autonomia è consolidava-se nesse contexto o Feudalismo.
Feudalismo
OBS.: como Modo de Produção sistemático e organizado, o feudalismo somente teve lugar em parte da  Europa Ocidental,  durante a Idade Média, embora possamos perceber resquícios de feudalismo em outras regiões e em outros momentos históricos.
O período de formação e apogeu do Feudalismo é conhecido por Alta Idade Média. Tendo esse sistema se originado da fusão de dois mundos:
·                    Antigo Império Romano no Ocidente + Mundo germânico = Sociedade Feudal.
èEstruturas Romanas:
·        Vilas – grandes propriedades surgidas na crise do império, para onde a população fugia das invasões bárbaras. Tendiam a auto-suficiência è originaram os grandes feudos medievais.
·        Colonato –  a crise do trabalho escravo provoca o desabastecimento urbano è a população livre desempregada foge das cidades para o campo. O colono preso a terra trabalha em troca de uma parte do que ele produzir è vai originar a servidão medieval.
·        Cristianismo – sobrevive a queda de Roma è com o apoio dos francos a Igreja torna-se a principal instituição e a base ideológica da  sociedade feudal.
èEstruturas Germânicas:
·        Benefício – doação de terras è vai originar as relações de suserania e vassalagem.
·        Imunidades –  quem recebia o benefício estava imune a qualquer interferência em seus domínios è favorece a fragilização do poder real.
·        Comitatus – guerreiros juravam fidelidade em troca de terras conquistadas è origina a cavalaria medieval. O cavaleiro medieval ajudava a impor a autoridade aos camponeses desarmados.
·        Direito Consuetudinário – baseado  na tradição, nos hábitos e nos costumes. Cada senhor tem sua própria justiça, privada e não pública (do Estado).
Fatores conjunturais (momentâneos) que favoreceram a feudalização de Europa:
·       Séc. V –  queda de Roma e o surgimento dos pequenos reinos bárbaros è evoluindo para o feudalismo;
·       Séc. VIII e IX –  muçulmanos vindos do sul, vikings do norte e eslavos do leste è isolamento da Europa è surgimento do feudalismo;
·       Século IX – desagregação do Império Carolíngio através do Tratado de Verdun, favoreceu o fortalecimento do poder da nobreza local, em detrimento da autoridade central.
Características da Sociedade Feudal:
èPolíticas:
·       Poder descentralizado è a autoridade do rei era limitada pelos contratos de suserania e vassalagem.
OBS.: A relação entre suserano e vassalo é denominada  horizontal, pois ambos são homens da nobreza. Não devemos confundir a vassalagem com servidão, duas instituições distintas.
Relações de suserania e vassalagem – relações políticas.
Relações de senhores e servos – relações econômicas.
A terra era a principal fonte de poder e riqueza dentro do mundo feudal.
·        O suserano (doa o benefício, ou seja, o feudo) na maioria das vezes um pedaço de terra. O rei era considerado o suserano supremo,  mais seu poder era limitado pelos contratos de vassalagem.
·        O vassalo, nobre que recebia o benefício, em troca da lealdade ao seu suserano.
Os contratos entre suseranos e vassalos eram firmados através da: 
·        Homenagem – cerimônia-juramento de lealdade e fidelidade entre suserano e vassalo;
·        Investidura – entrega simbólica do feudo ao vassalo.
Tais cerimônias eram celebradas na presença dos homens do clero e diante das relíquias sagradas, o que comprova a importância do poder temporal da Igreja.

Obrigações entre suseranos e vassalos:
Suseranos:
·       conceder o feudo e garantir a hereditariedade;
·       dar proteção militar e judicial ao vassalo;
·       defender seu vassalo nos tribunais.
Vassalos:
·        prestar serviço militar nas tropas do seu suserano;
·        ajudar economicamente o suserano (casamento da filha, investidura do filho como cavaleiro, entre outros);
·        dar ao suserano e a sua comitiva abrigo nas viagens.
·        Ajudar no pagamento do resgate do suserano, caso esse caísse prisioneiro.
èEconômicas:
·       sua economia era agrária, tendendo para a auto-suficiência; com os feudos produzindo tudo aquilo que necessitavam;
·       comércio pouco significativo e a base de troca;
·       pouca circulação de moeda – economia amonetária;
·       não visava o lucro – a Igreja fazia a defesa do justo preço.

Divisão do Feudo:
Manso Senhorial:
Melhores terras, cultivadas pelos servos em benefício do senhor feudal. Localizavam-se aqui: castelo, moinho, forno, celeiro, lagar (vinho).
Manso Servil:
Piores lotes, em geral descontínuos, nos quais os servos viviam e retiravam o sustento.
Terras Comunais ou Manso Comunal:
Pastos, florestas, pomar, bosques – usadas por senhores e servos.
Nos feudos usava-se o sistema de rotação de culturas è visava descansar a terra, aumentando sua produtividade, conforme a tabela abaixo:
Vale observar que sempre um dos campos mantinha-se em descanso e não se repetia a mesma plantação em um mesmo campo dois anos seguidos.
Impostos Feudais:
Eram obrigações que os servos (camponeses) tinham para com os senhores feudais, onde destacavam-se:
Corvéia: Tributo pago em trabalho è de 3 a 5 dias por semana o servo trabalhava no manso senhorial.
Talha: Parte da produção dos servos era destinada ao senhor feudal.
Banalidades: Pagamento feito para o servo utilizar as instalações do manso senhorial.
Mão-morta: Taxa paga pelos herdeiros do servo para permanecerem no feudo.
Tostão de Pedro: Imposto pago à Igreja, em geral em ocasiões especiais.
OBS.: a idéia que se faz de que a Idade Média foi um período de prosperidade, onde os senhores feudais viviam luxuosamente não é verdadeira, afinal, os feudos não prosperavam na produção agrícola.
A deficiência das técnicas de plantio e a falta de ferramentas contribuíram para a baixa produtividade. Havia ainda o desinteresse em plantar excedentes, uma vez que produzir mais significava pagar tributos maiores.
èSociedade Feudal:
·       caracterizada como estamental, isto é, com categorias definidas e baixíssima mobilidade social è sociedade de ordens ou estamentos;
·       a posição na sociedade dependia da origem.
 


                   è camada   dominante: Clero e
                                                             Nobreza



           è camada dominada: Servos da Gleba – presos à terra e
Vilões – eram poucos e estavam livres do controle do feudo è podiam ter laços empregatícios com outros feudos.

èA Igreja Medieval:
·       principal instituição da Idade Média; base de sustentação ideológica daquela sociedade estamental. A Igreja regulava a vida das pessoas do nascimento à morte, interferindo em questões comportamentais, econômicas, políticas, sociais.
·       seu poder advinha de sua riqueza acumulada ao longo dos séculos e do fato de ser a detentora do monopólio do saber, em uma sociedade marcada pela existência de um grande número de pessoas iletradas.
Alto Clero:
De origem nobre, muitos afastavam-se dos princípios religiosos, estando mais voltados à riqueza, ao luxo, à terra e ao poder temporal.
Era comum a compra de cargos pelos filhos dos senhores feudais que não usufruiriam do direito de primogenitura (apenas o mais velho recebia a herança), dessa forma, os filhos mais novos dos nobres recebiam terras da Igreja para administrar.
Baixo Clero:
Composto por ordens mendicantes, resgatavam os votos religiosos, vivendo de acordo com a verdadeira religiosidade cristã.
Não concordavam com a postura do Alto Clero è vinham dos segmentos populares.
OBS.: em discordância com a postura da Igreja, voltada para as questões políticas e afastando-se dos princípios do cristianismo primitivo, surgiram as Ordens Mendicantes – Ordem Dos Franciscanos, criada por Francisco de Assis é das mais importantes.
Visava resgatar os verdadeiros valores cristãos e seus membros faziam votos de castidade, pobreza e caridade.
èA Inquisição:
Em 1229 é fundado o Tribunal do Santo Ofício (ou Santa Inquisição) è serviu de instrumento de perseguição à todos aqueles que ameaçassem de alguma forma os interesses da Igreja, sendo acusados de heresia.
A principal vítima da Inquisição foi a mulher, especialmente as bruxas. A figura feminina era vista como um instrumento do diabo para tentar a carne.
Etapas do Tribunal do Santo Ofício:
·        Captura – a comitiva inquisitorial identificava e aprisionava os acusados;
·        Processo inquisitorial – investigação em busca de provas da heresia (até marca no corpo servia) è o réu era submetido à tortura (onde muitos morriam) è o réu confesso era “perdoado” e enviado à pena máxima, ou seja, à execução;
·        Auto de fé – o herege era queimado vivo em praça pública è como forma de impor a ordem pelo terror, intimidando qualquer manifestação contrária a autoridade eclesiástica.
Esse ritual tinha como pretexto propiciar a purificação da alma através fogo.
èFilosofia na Idade Média:
·       Patrística – Alta Idade Média è Santo Agostinho: A fé supera a razão (grande presença da Igreja) è inspirado em Platão;
·       Escolástica – Baixa Idade Média è São Tomás de Aquino: possibilidade de conciliar a fé e a razão.

OBS.: essa diferença entre fé e razão em dois momentos distintos se deve aos seguintes motivos:
·                    na Alta Idade Média, a Igreja era a principal instituição;
·                    na Baixa Idade Média, a Igreja perde parte de seu poder, não sendo mais admitida como centro do poder, o renascimento comercial e urbano, proporcionou uma nova visão de mundo com o aparecimento de um novo grupo social – a burguesia.
A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média é assim chamada, por ser o período em que surgiram elementos que desencadearam a decadência do Feudalismo, tendo ocorrido entre os séculos XII e XV.
Elementos que contribuíram no esgotamento do sistema feudal:
·       crescimento demográfico;
·       produtividade insuficiente dos feudos;
·       marginalização social do excedente populacional
OBS.: os feudos produziam apenas o suficiente para o seu consumo, pois produzir mais significava pagar impostos maiores, sem falar que as técnicas predominantes no período eram limitadas è a produção não atendia o crescimento populacional.
 èAs Cruzadas:
Foram expedições militares organizadas a partir de uma orientação da Igreja, através do Concilio de Clermont, convocado pelo Papa Urbano II em 1095, tendo por objetivos:
·        religiosos – libertar a Terra Santa Jerusalém do domínio dos infiéis (muçulmanos);
·        econômicos – interesse dos mercadores italianos em restabelecer o comércio via Mediterrâneo;
A Igreja desejava dar vazão ao excedente populacional da Europa, uma vez que os marginalizados ameaçavam a própria existência do sistema feudal e do poder dessa instituição, que era grande detentora de terras;
·        político – tentativa de restabelecer a unidade do cristianismo, que havia se quebrado com a criação da Igreja Ortodoxa – Cisma do Oriente (ocorrido em 1054).
As motivações religiosas e políticas não se concretizaram, entretanto, foi possível restabelecer o comércio no Mediterrâneo (que era dominado pelos muçulmanos), causando profundas alterações no sistema feudal.
 è O Renascimento Comercial e Urbano:
Beneficiou especialmente os comerciantes das cidades italianas do Mediterrâneo que estabeleceram entrepostos comerciais com o Oriente, de onde traziam as especiarias e os artigos de luxo – dinamizando o comércio europeu.
Novos pólos de comércio na Europa:
Rotas Marítimas – Rota do Mediterrâneo e Rota dos Mares Báltico e do Norte.
Rota do Mediterrâneo – controlada pela burguesia mercantil de Gênova e Veneza.
Rota dos Mares Báltico e do Norte – controladas pelos comerciantes flamengos (habitantes da região de Flandres – atuais Holanda e Bélgica) e por mercadores da Liga Hanseática, sediada em Lubeck e congregava as cidades alemãs.
Rota Terrestre – principal Rota da Champagne, que interligava a região de Flandres às cidades italianas. Ao longo da Rota da Champagne surgiram as principais feiras medievais – comércio itinerante que ajudou a estimular práticas mercantis, o uso da moeda, a usura e a idéia de busca do lucro.
OBS.: Muitas dessas feiras foram sedentarizando e acabaram por transformar-se em cidades, denominadas de burgos, protegidas por muralhas, onde vivia a burguesia.
Burguesia – grupos sociais surgidos com a transição feudo-capitalista, a partir da Baixa Idade Média. Não utilize tal conceito para se referir a comerciantes de períodos anteriores, como a Antigüidade.
Corporações de Ofício – associações de profissionais, típicas das cidades da Baixa Idade Média, reunindo associados de uma mesma função. Estavam hierarquizadas da seguinte forma: mestre artesão, jornaleiro e o aprendiz.
Objetivos das corporações:
·        manter o controle sobre a produção de um determinado setor, evitando a concorrência externa;
·        estabelecer controle da qualidade dos produtos, preço e salários dos jornaleiros;
·        garantir ajuda aos associados doentes, inválidos, viúvas e órfãos;
·        promover eventos religiosos, aproximando-se da Igreja e festividades para os associados;
·        proteger os associados contra os abusos do poder.
Emancipação política das cidades:
As cidades surgiram em terras pertencentes aos feudos, estando submetidas à autoridade dos senhores feudais. Com o crescimento urbano iniciaram o processo de emancipação política, através de:
·        Cartas de Franquia – os habitantes das cidades negociavam um acordo monetário com o senhor feudal em troca da independência, comprando as cartas de franquia.
·        Movimento Comunal – a emancipação  das cidades se dava através de luta armada contra a nobreza feudal.
èA crise final do Feudalismo (séc XIV e XV):
Essa crise foi caracterizada pela fome, peste e guerra.
·        Grande Fome – ocorre nas primeiras décadas do século XIV, causada por problemas climáticos, provocando a redução das colheitas, aumentando a fome. Essa escassez de alimentos debilitou ainda mais a população européia, que ficou mais vulnerável à doenças;
·        Peste Negra – peste bubônica (transmitida por ratos), dizimou 1/3 da população européia (aproximadamente 25 milhões de pessoas), sendo trazida do Oriente pelos navios dos mercadores italianos. Ela se proliferou pelo continente em razão das precárias condições de higiene e saneamento das cidades européias.
Surgem no continente europeu as irmandades flagelantes. Estas eram compostas por peregrinos que viajavam à pé pela Europa, rezando e chamando as pessoas para penitência e a auto-flagelação è imaginavam que a doença era provocada pela ira de Deus;
·        Guerra dos Cem Anos – travada entre os as nobres ingleses e franceses, foi causada pela disputa do trono da França e pelo interesse inglês no controle da região de Flandres (região produtora de artigos de lã);
A guerra provocou a decadência dos nobres (mortes e gastos), favorecendo a centralização do poder real e estimulou o sentimento nacionalista – Joana D’arc.
OBS.: As dificuldades provenientes da crise pela qual passava a Europa feudal acabou por estimular as revoltas camponesas, contra a superexploração imposta aos servos, favorecendo também à crise do feudalismo.
O feudalismo deixa de ser predominante na Europa, mas ainda vão existir resquícios em várias regiões do continente entre os séculos XV e XVIII. Na Rússia, no século XIX, ainda era percebido o trabalho servil.
èA formação dos Estados Nacionais:
(Reis + burguesia x nobreza + Igreja feudal)
·                    Aos reis interessava a consolidação de sua autoridade por todo o reino e a definição de suas fronteiras, impondo sua autoridade sobre o particularismo dos feudos (nobreza) e o universalismo da Igreja (clero);
·                    A burguesia pretendia superar os entraves feudais (variadas moedas, leis, medidas e impostos) para melhor exercer seu comércio;
·                    Tanto Igreja, quanto nobreza desejavam manter seus poderes e privilégios.
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Para garantir a governabilidade, os reis buscavam o equilíbrio entre as forças que compunham o Estado.

É importante lembrar que os reis eram de origem nobre, portanto o Estado que se forma a partir da aliança rei+burguesia, não ignorou a nobreza e o clero, que mantiveram privilégios dentro dessa nova ordem – Estado Nacional Moderno.