sexta-feira, 30 de setembro de 2011

8ª séries: Crise da Europa Oriental nos anos de 1980 e 1990

Os países do Leste Europeu reproduzem, durante os anos 70 e 80, as mesmas dificuldades econômicas vividas pela União Soviética. Alguns, como a Hungria e a Polônia, introduzem reformas liberalizantes e tentam auxílio financeiro do Ocidente. Outros mantêm-se inalterados até que a glasnost de Gorbatchov, em 1985, estimule a rebelião popular e a superação do antigo regime.
Polônia - É o primeiro país do bloco soviético a apresentar um movimento popular de resistência ao regime, particularmente com o sindicato independente Solidariedade, fundado nos estaleiros de Gdansk. O Partido Comunista mostra-se incapaz de controlar a situação e o dirigente Eduard Gierek é substituído pelo general Wojciek Jaruselski, que decreta lei marcial em 1980. A crise persiste. A partir de 1985, sob a influência das mudanças na União Soviética, os presos políticos são anistiados, o sindicato Solidariedade é legalizado e em 1989 se realizam eleições. Como resultado, o Solidariedade torna-se governo e organiza um gabinete dirigido pelo primeiro-ministro Tadeusz Mazowiecki, que anuncia um plano de privatização de 80% da indústria e dos serviços e várias reformas econômicas liberais.
Lech Walesa (1943- ), líder católico dos metalúrgicos de Gdansk, torna-se líder nacional ao dirigir as greves do estaleiro Lenin e fundar o sindicato Solidariedade, em oposição aos sindicatos comunistas e ao regime. A luta do Solidariedade conduz ao enfraquecimento paulatino do regime e ao acordo que resulta nas eleições de 1989 e na formação do primeiro governo não-comunista após 40 anos. Embora sempre tenha se declarado contra os operários e sindicatos fazerem política, Walesa disputa e vence as eleições presidenciais de 1991. Tenta implementar reformas de sentido capitalista no país, mas isso conduz ao desemprego e à perda de muitas das bases do antigo Solidariedade.
Hungria - Combina planejamento central e mercado desde o final dos anos 50. É considerado o governo mais liberal do Leste Europeu, embora mantenha o sistema de partido único. As mudanças na União Soviética levam o Partido Socialista dos Trabalhadores Húngaros (comunista) a propor mudanças democráticas internas, entre elas o pluripartidarismo, em janeiro de 1989. Entre setembro e outubro, os partidos chegam ao acordo que estabelece eleições livres, reforma da Constituição e dos códigos civil e penal. A Hungria deixa de denominar-se República Popular, sepultando formalmente o regime comunista.
Romênia - Segue uma política independente em relação à União Soviética desde o início dos anos 60. Amplia as relações econômicas e políticas com o Ocidente e a China. Em 1965, o nacionalista Nicolae Ceausescu é nomeado presidente. A decisão de pagar integralmente a dívida externa do país desencadeia grave crise econômica e torna o regime ainda mais repressivo. Ceausescu consolida uma ditadura da própria família. Em 1989 crescem as manifestações por democracia, que desembocam numa violenta rebelião popular, com apoio do Exército, em dezembro. No dia 25, Ceausescu e sua mulher, Elena, são fuzilados depois de um julgamento sumário, sob acusação de genocídio, corrupção e destruição da economia nacional. A Frente de Salvação Nacional, que inclui dirigentes do antigo Partido Comunista, assume o governo um dia depois. Decreta o pluripartidarismo, extingue a polícia política (Securitate), abole a censura, anistia os presos políticos e convoca eleições para janeiro de 1990.
Tchecoslováquia - O descontentamento contra o regime toma vulto a partir de 1977, com a publicação da Carta 77, manifesto de intelectuais a favor das liberdades civis. Agrava-se nos anos 80 com o aumento da escassez de bens e serviços e a repressão a dissidentes. As mudanças na União Soviética estimulam manifestações populares no segundo semestre de 1989, em protesto contra a condenação do dramaturgo Vaclav Havel, um dos signatários da Carta 77. Os protestos levam à formação do Fórum Cívico, organização que congrega dissidentes dos mais diferentes matizes políticos. As mudanças no regime são pacíficas (Revolução de Veludo) e resultam do crescimento das manifestações populares, das pressões soviéticas a favor das reformas e da divisão interna do regime. Em dezembro de 1989, Havel é designado para a presidência do governo provisório, formado por maioria não-comunista.
Alemanha Oriental - Possui uma das economias mais desenvolvidas do Leste Europeu. Mantém, porém, um regime ditatorial e enfrenta crescentes dificuldades para competir com a pujança do mercado de massa e as liberdades civis da Alemanha Ocidental. No segundo semestre de 1989, milhares de alemães-orientais começam a fugir para o Ocidente através da Hungria, que passa a tolerar a passagem de refugiados por suas fronteiras. Em outubro, durante as comemorações de 40 anos da Alemanha Oriental, Gorbatchov exorta o regime de Erich Honecker a efetuar reformas liberalizantes. Os oposicionistas saem às ruas exigindo a democratização e o fim da Stasi, a polícia política.
Queda do Muro de Berlim - Em 9 de novembro o governo comunista decide a abertura dos postos fronteiriços e a destruição do Muro de Berlim, porecipitando a queda do regime. Em dezembro de 1989 toda a cúpula do Partido Socialista Unificado (comunista) é destituída e logo depois o partido deixa de existir. Uma coalizão entre os partidos Democrata-Cristão, Liberal e Social-Democrata assume o governo. A derrubada do Muro simboliza a reunificação da Europa, o fim da Guerra Fria e a dissolução dos regimes comunistas do Leste Europeu.
Bulgária - Depois de um constante crescimento nos anos 60, a economia entra em declínio nos anos 70 e 80. A ditadura comunista impede o afloramento das demandas sociais e a realização de reformas, levando o país à estagnação. Só em 1987, depois do início das reformas na União Soviética, o regime decide introduzir mudanças na gestão das empresas estatais, com a permissão para a constituição de empresas mistas e privadas, aceitação de investimentos estrangeiros e introdução de mecanismos de mercado. Essas mudanças aumentam as pressões para as mudanças políticas. Em 1988 é introduziada a liberdade partidária e o Partido Comunista passa a se chamar Socialista, dando início à transição para a democracia no país. As primeiras eleições, em 1989, são vencidas pelos antigos comunistas, mas a oposição não aceita os resultados e cria uma crise política prolongada, que culmina com a ascensão de forças políticas liberais ao poder.
Iugoslávia - Embora possuindo um socialismo distinto do soviético, vê-se envolvida na crise disseminada pelas mudanças na União Soviética. A uma séria crise econômica agregam-se reivindicações nacionalistas e rivalidades étnicas nas repúblicas federadas. Os conflitos nacionais emergem em março de 1990, quando a Eslovênia decide proclamar sua independência. Em abril, Eslovênia e Croácia realizam eleições pluripartidárias, vencidas por ex-comunistas nacionalistas. Em junho, o Parlamento de Kossovo decide pela independência e sofre intervenção militar sérvia. Movimentos separatistas se intensificam também na Bósnia-Herzegóvina.
Guerra na Bósnia-Herzegóvina - Em fevereiro de 1992, como reação ao pacto de defesa mútua entre Eslovênia e Croácia, a comunidade sérvia da Krajina (na Croácia) declara autonomia unilateral e decide unir-se à Sérvia. Em março, muçulmanos e croatas da Bósnia decidem pela independência num plebiscito boicotado pelos sérvios. Estes pegam em armas contra a separação e conquistam a maior parte do país. Nos territórios sob seu controle, praticam a chamada "limpeza étnica", deportando milhares de pessoas à força.
Albânia - Fora da órbita soviética desde 1957, retira-se do Pacto de Varsóvia em 1968 e rompe com a China em 1978. A abertura parcial do regime tem início em 1989, com a anistia aos presos políticos, reformas limitadas na economia e concessão de liberdades civis. O governo procura ampliar o comércio internacional, busca investimentos estrangeiros e permite a constituição de produtores familiares na agricultura. Manifestações populares em dezembro de 1990 e fevereiro de 1991 exigem liberdade de organização partidária, reformas no sistema econômico e na estrutura política e eleições gerais. O Partido do Trabalho (comunista) vence as eleições de março de 1991, graças aos votos das zonas rurais. Os partidos Democrata, Republicano e Social-Democrata, de oposição, negam-se a participar de um governo de conciliação. Em maio de 1991, os trabalhadores paralisam a indústria e os transportes, causando a renúncia do governo. Em junho, os antigos comunistas e os partidos de oposição firmam um acordo e organizam um governo de salvação nacional. O Partido do Trabalho passa a denominar-se Socialista.

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