segunda-feira, 2 de julho de 2012

TEXTO PARA O ENSINO MÉDIO: A IDADE MÉDIA

A Idade Média
Período que vai da queda do Império Romano no Ocidente em 476 d.C. até a tomada de Constantinopla (Império Romano no Oriente – Império Bizantino) em 1453
Periodização da Idade Média:
èAlta Idade Média:
·       Séc. V ao IX – momento de formação da sociedade feudal, que é o resultado da fusão entre o mundo germânico (bárbaros) e o romano.
·       Séc. IX ao XI – apogeu do Feudalismo (vive seu melhor momento)

èBaixa Idade Média:
·       momento de transição, ocorre com a crise do feudalismo;
·       Renascimento Comercial/Urbano – ocorre paralelamente a reabertura do mar Mediterrâneo (Cruzadas).
OBS.: para os romanos bárbaros eram aqueles indivíduos que não falavam a sua língua, não tinham sua cultura, nem tão pouco seguiam as suas leis. Dessa forma, esse modo de chamá-los era usado de maneira pejorativa, como forma de desprezá-los e denegrir sua imagem.
De todos os povos bárbaros, os Germânicos foram os que mais contribuíram para a formação da sociedade feudal, destacando-se entre eles o Reino dos Francos.
Migrações dos Bárbaros
·        Séc. IV – migrações pacíficas, os bárbaros, especialmente os germânicos, eram absorvidos (incorporados) ao Império Romano, sendo usados na defesa contra a invasão de outros bárbaros;
·        Séc. V – a segunda onda migratória se deu com de forma violenta com os povos bárbaros invadindo  Roma e substituindo a autoridade existente.

Fatores que impulsionaram os bárbaros contra Roma:
·        a busca por terras com clima mais favorável para as atividades de sua economia agropastoril è desejavam terras mais quentes para o cultivo, pois viviam em regiões muito frias;
·        a pressão dos Hunos (nômades saqueadores de origem asiática) è provocou a fuga dos povos bárbaros para dentro do Império, provocando um êxodo urbano com o  abandono das cidades do Império Romano, por medo de invasões e saques;
·        enfraquecimento das defesas de Roma, em função das crises internas è econômica, política e militar (disputa pelo poder entre os chefes dos exércitos);
·        característica natural dos germânicos a criação de Comitatus.
O Comitatus era uma espécie de contrato, no qual um grupo de guerreiros juravam fidelidade ao chefe militar, em troca de “heranças de guerra” (terras conquistadas). O objetivo único deste era a pilhagem, o saqueamento das cidades.
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É desse grupo que surgirá, no Feudalismo, a figura do Cavaleiro Medieval, que representava  um guerreiro que jurava fidelidade e lealdade ao seu senhor, protegendo seu feudo.
Quando os bárbaros conquistam o Império, o rei passa a ser apenas uma figura simbólica e com poder fragmentado. O ganho de terras pelos senhores da nobreza, que recebem também as imunidades, fez surgir “reinos” efêmeros e de administração própria.
Por fim, a invasão bárbara provoca uma mudança substancial na atividade econômica da Europa, que muda de mercantil para agropastoril de subsistência.

O Reino dos Francos

Dinastia Merovíngia
·                    Séc. V – Clóvis centraliza o poder, dando início a dinastia merovíngia:
Clóvis converte-se ao catolicismo, estabelecendo uma aliança com a Igreja Católica que, ao legitimar o poder do rei, recebia a proteção militar dos francos contra o ataque de povos bárbaros não católicos;
Na Europa  Feudal a Igreja se tornou a instituição de maior importância.
Os reis francos também eram chamados de Reis Indolentes. Tal denominação lhes foi dada devido  a sua falta de controle sobre as terras doadas, demonstrando assim sua fragilidade.
Vale relembrar que era um antigo costume dos francos a doação de terras através do Benefício (doação de terra), concedendo-se ainda a Imunidade (garantia de não interferência por parte do rei).
As funções do rei ficavam transferidas para os Majordomus (prefeitos do palácio) è eles eram chefes militares, que passaram a ter grande poder no reino.
Dinastia Carolíngia
·                    Ano 732 – Carlos Martel, que era um majordomus, derrotou os mouros na Batalha de Poitiers, contendo o avanço dos muçulmanos sobre os reinos cristãos. 
O filho de Carlos Martel, Pepino – o Breve, derrotou os lombardos e doou territórios à Igreja è Patrimônio de São Pedro, na Itália. Com Pepino, o Breve, ocorre a deposição do último rei merovíngio, tendo início a Dinastia Carolíngia. Posteriormente o filho de Pepino, Carlos Magno, assumirá o Império Carolíngio.
Após sua vitória sobre os muçulmanos e com a doação de terrenos para a Igreja, esta instituição reconhece e apóia a Dinastia Carolíngia, legitimando-a.
·                    O Império de Carlos Magno:
Pode-se dizer que houve, com o Império Carolíngio, uma tentativa de restaurar o antigo Império Romano no Ocidente.
Carlos Magno tentou acabar com a fragmentação do poder na Europa, com a criação de um império forte e centralizador. Sua ação na conquista de terras de bárbaros e muçulmanos aumentou a extensão de seu reino è os povos conquistados eram cristianizados.
No ano 800 a Igreja, através do Papa Leão III coroa Carlos Magno imperador do novo Império Romano do Ocidente.
O mandatário da Igreja via na ampliação do reino franco uma possibilidade de expansão do cristianismo e o retorno à própria concepção de império, desaparecida desde a queda de Roma, no qual o poder imperial seria o anteparo da Igreja.
Carlos Magno foi responsável, portanto, por uma experiência centralizadora durante a conturbada Alta Idade Média. Ele tomou mão de algumas ações para manter o império unido em torno de seu nome, conseguindo fazê-lo enquanto permaneceu vivo.
Medidas adotadas por Carlos Magno para manter o poder centralizado:
1ª–                       dividiu as terras do império em condados, ducados e marcas, estabelecendo com os nobres relações de lealdade e fidelidade, facilitando sua administração è dessa distribuição de terras é que se originam as relações de suserania e vassalagem. As marcas estavam localizadas nas fronteiras do Império – sen do os marqueses responsáveis pela defesa;
2ª–                       instituiu a figura dos Missi Dominici (enviados do senhor) è enviados em número de dois, um da Igreja e outro da nobreza, tinham a responsabilidade de fiscalizar se as determinações reais estavam sendo cumpridas;
3ª–                       criação das primeiras leis escritas da Idade Média – as Capitulares  è leis escritas que visavam uniformizar a administração do império.
Desenvolvimento Cultural:
·       Renascimento Carolíngio: cultura clássica romana influenciada pelo teocentrismo medieval è cultura Românica – a Igreja influenciava toda a produção cultural e todos os indivíduos na Idade Média.
Com a morte de Carlos Magno o Império é partilhado por seus filhos e depois pelos seus  netos, através do Tratado de Verdun (843).
Os nobres passam a ter crescente importância, devido ao fortalecimento de sua autonomia è consolidava-se nesse contexto o Feudalismo.
Feudalismo
OBS.: como Modo de Produção sistemático e organizado, o feudalismo somente teve lugar em parte da  Europa Ocidental,  durante a Idade Média, embora possamos perceber resquícios de feudalismo em outras regiões e em outros momentos históricos.
O período de formação e apogeu do Feudalismo é conhecido por Alta Idade Média. Tendo esse sistema se originado da fusão de dois mundos:
·                    Antigo Império Romano no Ocidente + Mundo germânico = Sociedade Feudal.
èEstruturas Romanas:
·        Vilas – grandes propriedades surgidas na crise do império, para onde a população fugia das invasões bárbaras. Tendiam a auto-suficiência è originaram os grandes feudos medievais.
·        Colonato  a crise do trabalho escravo provoca o desabastecimento urbano è a população livre desempregada foge das cidades para o campo. O colono preso a terra trabalha em troca de uma parte do que ele produzir è vai originar a servidão medieval.
·        Cristianismo – sobrevive a queda de Roma è com o apoio dos francos a Igreja torna-se a principal instituição e a base ideológica da  sociedade feudal.
èEstruturas Germânicas:
·        Benefício – doação de terras è vai originar as relações de suserania e vassalagem.
·        Imunidades  quem recebia o benefício estava imune a qualquer interferência em seus domínios è favorece a fragilização do poder real.
·        Comitatus – guerreiros juravam fidelidade em troca de terras conquistadas è origina a cavalaria medieval. O cavaleiro medieval ajudava a impor a autoridade aos camponeses desarmados.
·        Direito Consuetudinário – baseado  na tradição, nos hábitos e nos costumes. Cada senhor tem sua própria justiça, privada e não pública (do Estado).
Fatores conjunturais (momentâneos) que favoreceram a feudalização de Europa:
·       Séc. V   queda de Roma e o surgimento dos pequenos reinos bárbaros è evoluindo para o feudalismo;
·       Séc. VIII e IX   muçulmanos vindos do sul, vikings do norte e eslavos do leste è isolamento da Europa è surgimento do feudalismo;
·       Século IX – desagregação do Império Carolíngio através do Tratado de Verdun, favoreceu o fortalecimento do poder da nobreza local, em detrimento da autoridade central.
Características da Sociedade Feudal:
èPolíticas:
·       Poder descentralizado è a autoridade do rei era limitada pelos contratos de suserania e vassalagem.
OBS.: A relação entre suserano e vassalo é denominada  horizontal, pois ambos são homens da nobreza. Não devemos confundir a vassalagem com servidão, duas instituições distintas.
Relações de suserania e vassalagem – relações políticas.
Relações de senhores e servos – relações econômicas.
A terra era a principal fonte de poder e riqueza dentro do mundo feudal.
·        O suserano (doa o benefício, ou seja, o feudo) na maioria das vezes um pedaço de terra. O rei era considerado o suserano supremo,  mais seu poder era limitado pelos contratos de vassalagem.
·        O vassalo, nobre que recebia o benefício, em troca da lealdade ao seu suserano.
Os contratos entre suseranos e vassalos eram firmados através da: 
·        Homenagem – cerimônia-juramento de lealdade e fidelidade entre suserano e vassalo;
·        Investidura – entrega simbólica do feudo ao vassalo.
Tais cerimônias eram celebradas na presença dos homens do clero e diante das relíquias sagradas, o que comprova a importância do poder temporal da Igreja.

Obrigações entre suseranos e vassalos:
Suseranos:
·       conceder o feudo e garantir a hereditariedade;
·       dar proteção militar e judicial ao vassalo;
·       defender seu vassalo nos tribunais.
Vassalos:
·        prestar serviço militar nas tropas do seu suserano;
·        ajudar economicamente o suserano (casamento da filha, investidura do filho como cavaleiro, entre outros);
·        dar ao suserano e a sua comitiva abrigo nas viagens.
·        Ajudar no pagamento do resgate do suserano, caso esse caísse prisioneiro.
èEconômicas:
·       sua economia era agrária, tendendo para a auto-suficiência; com os feudos produzindo tudo aquilo que necessitavam;
·       comércio pouco significativo e a base de troca;
·       pouca circulação de moeda – economia amonetária;
·       não visava o lucro – a Igreja fazia a defesa do justo preço.

Divisão do Feudo:
Manso Senhorial:
Melhores terras, cultivadas pelos servos em benefício do senhor feudal. Localizavam-se aqui: castelo, moinho, forno, celeiro, lagar (vinho).
Manso Servil:
Piores lotes, em geral descontínuos, nos quais os servos viviam e retiravam o sustento.
Terras Comunais ou Manso Comunal:
Pastos, florestas, pomar, bosques – usadas por senhores e servos.
Nos feudos usava-se o sistema de rotação de culturas è visava descansar a terra, aumentando sua produtividade, conforme a tabela abaixo:


1º Ano
2º Ano
3º Ano
Campo 1
Trigo
Cevada
-----
Campo 2
-----
Trigo
Cevada
Campo 3
Cevada
-----
Trigo

Vale observar que sempre um dos campos mantinha-se em descanso e não se repetia a mesma plantação em um mesmo campo dois anos seguidos.
Impostos Feudais:
Eram obrigações que os servos (camponeses) tinham para com os senhores feudais, onde destacavam-se:
Corvéia: Tributo pago em trabalho è de 3 a 5 dias por semana o servo trabalhava no manso senhorial.
Talha: Parte da produção dos servos era destinada ao senhor feudal.
Banalidades: Pagamento feito para o servo utilizar as instalações do manso senhorial.
Mão-morta: Taxa paga pelos herdeiros do servo para permanecerem no feudo.
Tostão de Pedro: Imposto pago à Igreja, em geral em ocasiões especiais.
OBS.: a idéia que se faz de que a Idade Média foi um período de prosperidade, onde os senhores feudais viviam luxuosamente não é verdadeira, afinal, os feudos não prosperavam na produção agrícola.
A deficiência das técnicas de plantio e a falta de ferramentas contribuíram para a baixa produtividade. Havia ainda o desinteresse em plantar excedentes, uma vez que produzir mais significava pagar tributos maiores.
èSociedade Feudal:
·       caracterizada como estamental, isto é, com categorias definidas e baixíssima mobilidade social è sociedade de ordens ou estamentos;
·       a posição na sociedade dependia da origem.


                   è camada   dominante: Clero e
                                                             Nobreza



           è camada dominada: Servos da Gleba – presos à terra e
Vilões – eram poucos e estavam livres do controle do feudo è podiam ter laços empregatícios com outros feudos.

èA Igreja Medieval:
·       principal instituição da Idade Média; base de sustentação ideológica daquela sociedade estamental. A Igreja regulava a vida das pessoas do nascimento à morte, interferindo em questões comportamentais, econômicas, políticas, sociais.
·       seu poder advinha de sua riqueza acumulada ao longo dos séculos e do fato de ser a detentora do monopólio do saber, em uma sociedade marcada pela existência de um grande número de pessoas iletradas.
Alto Clero:
De origem nobre, muitos afastavam-se dos princípios religiosos, estando mais voltados à riqueza, ao luxo, à terra e ao poder temporal.
Era comum a compra de cargos pelos filhos dos senhores feudais que não usufruiriam do direito de primogenitura (apenas o mais velho recebia a herança), dessa forma, os filhos mais novos dos nobres recebiam terras da Igreja para administrar.
Baixo Clero:
Composto por ordens mendicantes, resgatavam os votos religiosos, vivendo de acordo com a verdadeira religiosidade cristã.
Não concordavam com a postura do Alto Clero è vinham dos segmentos populares.
OBS.: em discordância com a postura da Igreja, voltada para as questões políticas e afastando-se dos princípios do cristianismo primitivo, surgiram as Ordens Mendicantes – Ordem Dos Franciscanos, criada por Francisco de Assis é das mais importantes.
Visava resgatar os verdadeiros valores cristãos e seus membros faziam votos de castidade, pobreza e caridade.
èA Inquisição:
Em 1229 é fundado o Tribunal do Santo Ofício (ou Santa Inquisição) è serviu de instrumento de perseguição à todos aqueles que ameaçassem de alguma forma os interesses da Igreja, sendo acusados de heresia.
A principal vítima da Inquisição foi a mulher, especialmente as bruxas. A figura feminina era vista como um instrumento do diabo para tentar a carne.
Etapas do Tribunal do Santo Ofício:
·        Captura – a comitiva inquisitorial identificava e aprisionava os acusados;
·        Processo inquisitorial – investigação em busca de provas da heresia (até marca no corpo servia) è o réu era submetido à tortura (onde muitos morriam) è o réu confesso era “perdoado” e enviado à pena máxima, ou seja, à execução;
·        Auto de fé – o herege era queimado vivo em praça pública è como forma de impor a ordem pelo terror, intimidando qualquer manifestação contrária a autoridade eclesiástica.
Esse ritual tinha como pretexto propiciar a purificação da alma através fogo.
èFilosofia na Idade Média:
·       Patrística – Alta Idade Média è Santo Agostinho: A fé supera a razão (grande presença da Igreja) è inspirado em Platão;
·       Escolástica – Baixa Idade Média è São Tomás de Aquino: possibilidade de conciliar a fé e a razão.

OBS.: essa diferença entre fé e razão em dois momentos distintos se deve aos seguintes motivos:
·                    na Alta Idade Média, a Igreja era a principal instituição;
·                    na Baixa Idade Média, a Igreja perde parte de seu poder, não sendo mais admitida como centro do poder, o renascimento comercial e urbano, proporcionou uma nova visão de mundo com o aparecimento de um novo grupo social – a burguesia.
A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média é assim chamada, por ser o período em que surgiram elementos que desencadearam a decadência do Feudalismo, tendo ocorrido entre os séculos XII e XV.
Elementos que contribuíram no esgotamento do sistema feudal:
·       crescimento demográfico;
·       produtividade insuficiente dos feudos;
·       marginalização social do excedente populacional
OBS.: os feudos produziam apenas o suficiente para o seu consumo, pois produzir mais significava pagar impostos maiores, sem falar que as técnicas predominantes no período eram limitadas è a produção não atendia o crescimento populacional.
 èAs Cruzadas:
Foram expedições militares organizadas a partir de uma orientação da Igreja, através do Concilio de Clermont, convocado pelo Papa Urbano II em 1095, tendo por objetivos:
·        religiosos – libertar a Terra Santa Jerusalém do domínio dos infiéis (muçulmanos);
·        econômicos – interesse dos mercadores italianos em restabelecer o comércio via Mediterrâneo;
A Igreja desejava dar vazão ao excedente populacional da Europa, uma vez que os marginalizados ameaçavam a própria existência do sistema feudal e do poder dessa instituição, que era grande detentora de terras;
·        político – tentativa de restabelecer a unidade do cristianismo, que havia se quebrado com a criação da Igreja Ortodoxa – Cisma do Oriente (ocorrido em 1054).
As motivações religiosas e políticas não se concretizaram, entretanto, foi possível restabelecer o comércio no Mediterrâneo (que era dominado pelos muçulmanos), causando profundas alterações no sistema feudal.
 è O Renascimento Comercial e Urbano:
Beneficiou especialmente os comerciantes das cidades italianas do Mediterrâneo que estabeleceram entrepostos comerciais com o Oriente, de onde traziam as especiarias e os artigos de luxo – dinamizando o comércio europeu.
Novos pólos de comércio na Europa:
Rotas Marítimas – Rota do Mediterrâneo e Rota dos Mares Báltico e do Norte.
Rota do Mediterrâneo – controlada pela burguesia mercantil de Gênova e Veneza.
Rota dos Mares Báltico e do Norte – controladas pelos comerciantes flamengos (habitantes da região de Flandres – atuais Holanda e Bélgica) e por mercadores da Liga Hanseática, sediada em Lubeck e congregava as cidades alemãs.
Rota Terrestre – principal Rota da Champagne, que interligava a região de Flandres às cidades italianas. Ao longo da Rota da Champagne surgiram as principais feiras medievais – comércio itinerante que ajudou a estimular práticas mercantis, o uso da moeda, a usura e a idéia de busca do lucro.
OBS.: Muitas dessas feiras foram sedentarizando e acabaram por transformar-se em cidades, denominadas de burgos, protegidas por muralhas, onde vivia a burguesia.
Burguesia – grupos sociais surgidos com a transição feudo-capitalista, a partir da Baixa Idade Média. Não utilize tal conceito para se referir a comerciantes de períodos anteriores, como a Antigüidade.
Corporações de Ofício – associações de profissionais, típicas das cidades da Baixa Idade Média, reunindo associados de uma mesma função. Estavam hierarquizadas da seguinte forma: mestre artesão, jornaleiro e o aprendiz.
Objetivos das corporações:
·        manter o controle sobre a produção de um determinado setor, evitando a concorrência externa;
·        estabelecer controle da qualidade dos produtos, preço e salários dos jornaleiros;
·        garantir ajuda aos associados doentes, inválidos, viúvas e órfãos;
·        promover eventos religiosos, aproximando-se da Igreja e festividades para os associados;
·        proteger os associados contra os abusos do poder.
Emancipação política das cidades:
As cidades surgiram em terras pertencentes aos feudos, estando submetidas à autoridade dos senhores feudais. Com o crescimento urbano iniciaram o processo de emancipação política, através de:
·        Cartas de Franquia – os habitantes das cidades negociavam um acordo monetário com o senhor feudal em troca da independência, comprando as cartas de franquia.
·        Movimento Comunal – a emancipação  das cidades se dava através de luta armada contra a nobreza feudal.
èA crise final do Feudalismo (séc XIV e XV):
Essa crise foi caracterizada pela fome, peste e guerra.
·        Grande Fome – ocorre nas primeiras décadas do século XIV, causada por problemas climáticos, provocando a redução das colheitas, aumentando a fome. Essa escassez de alimentos debilitou ainda mais a população européia, que ficou mais vulnerável à doenças;
·        Peste Negra – peste bubônica (transmitida por ratos), dizimou 1/3 da população européia (aproximadamente 25 milhões de pessoas), sendo trazida do Oriente pelos navios dos mercadores italianos. Ela se proliferou pelo continente em razão das precárias condições de higiene e saneamento das cidades européias.
Surgem no continente europeu as irmandades flagelantes. Estas eram compostas por peregrinos que viajavam à pé pela Europa, rezando e chamando as pessoas para penitência e a auto-flagelação è imaginavam que a doença era provocada pela ira de Deus;
·        Guerra dos Cem Anos – travada entre os as nobres ingleses e franceses, foi causada pela disputa do trono da França e pelo interesse inglês no controle da região de Flandres (região produtora de artigos de lã);
A guerra provocou a decadência dos nobres (mortes e gastos), favorecendo a centralização do poder real e estimulou o sentimento nacionalista – Joana D’arc.
OBS.: As dificuldades provenientes da crise pela qual passava a Europa feudal acabou por estimular as revoltas camponesas, contra a superexploração imposta aos servos, favorecendo também à crise do feudalismo.
O feudalismo deixa de ser predominante na Europa, mas ainda vão existir resquícios em várias regiões do continente entre os séculos XV e XVIII. Na Rússia, no século XIX, ainda era percebido o trabalho servil.
èA formação dos Estados Nacionais:
(Reis + burguesia x nobreza + Igreja feudal)
·                    Aos reis interessava a consolidação de sua autoridade por todo o reino e a definição de suas fronteiras, impondo sua autoridade sobre o particularismo dos feudos (nobreza) e o universalismo da Igreja (clero);
·                    A burguesia pretendia superar os entraves feudais (variadas moedas, leis, medidas e impostos) para melhor exercer seu comércio;
·                    Tanto Igreja, quanto nobreza desejavam manter seus poderes e privilégios.
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Para garantir a governabilidade, os reis buscavam o equilíbrio entre as forças que compunham o Estado.
É importante lembrar que os reis eram de origem nobre, portanto o Estado que se forma a partir da aliança rei+burguesia, não ignorou a nobreza e o clero, que mantiveram privilégios dentro dessa nova ordem – Estado Nacional Moderno.

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