quinta-feira, 11 de agosto de 2011

8ª SÉRIES: Expansão soviética e a Cortina de Ferro

Apesar das perdas humanas e materiais, a URSS sai da guerra como grande potência econômica e militar. Aumenta a centralização política, a pretexto de uma rápida recuperação econômica e do perigo de uma nova guerra, desta vez contra as potências ocidentais, tendo os Estados Unidos à frente. Stalin centraliza em 1946 as funções de secretário-geral do Partido Comunista, primeiro-ministro e ministro da Defesa. Reorganiza os organismos de repressão política e intensifica a perseguição aos opositores. A economia é restaurada através da planificação centralizada, com prioridade para a indústria pesada. Em 1950 a produção industrial e agrícola atinge os níveis anteriores à guerra. As regiões industriais no oeste do país são reconstruídas e tem início a exploração da Sibéria. Intensifica-se a mecanização agrícola e as áreas de cultivo são ampliadas. Entra em execução um plano de massificação do ensino básico e técnico e tem início o rearmamento. O V Plano Qüinqüenal, entre 1951 e 1955, é voltado para a realização de obras energéticas e de irrigação e transporte fluvial. São executados projetos de armas modernas, centradas em artefatos nucleares e foguetes, e começa a pesquisa espacial.
CORTINA DE FERRO
Baseada em seu poderio militar, na presença de tropas soviéticas na Europa oriental e no extremo oriente e no renascimento dos partidos comunistas e socialistas em muitos países, a União Soviética passa a desenvolver uma política hegemonista para fazer frente à ascensão dos Estados Unidos no ocidente e na Ásia. Realiza a centralização política da Europa oriental por meio de tratados de paz, reparações de guerra, ocupações militares e apoio à formação de governos comunistas.
Pacto de Varsóvia - Firmado na capital polonesa, em 1955, para ajuda mútua em caso de agressões armadas aos países do bloco soviético na Europa, é o principal instrumento da hegemonia militar da União Soviética.
Iugoslávia - Realiza eleições para a Assembléia nacional e proclama uma república popular federativa em 1945, após a vitória da frente popular de libertação, dirigida pelos comunistas. O novo governo, dirigido por Josip Broz Tito, nacionaliza bancos, indústria e comércio, introduz a seguridade social e faz a reforma agrária. Mas rompe com a União Soviética em 1948, recusando-se a obedecer à centralização política sob Stalin. Em 1957 reata as relações com a União Soviética sem abandonar sua posição independente e de aproveitamento da disputa hegemônica entre os blocos soviético e norte-americano.
Tito (1892-1980) pseudônimo de Josip Broz, estadista iugoslavo. Nasce em Kumrovec, na Croácia. Filho de lavradores, é obrigado a deixar a escola aos 12 anos para trabalhar no campo. Durante a Segunda Guerra Mundial Tito é ferido e depois capturado pelos russos. Em 1917 é libertado pelo movimento da Revolução Russa e logo depois se alista no Exército Vermelho. Volta à Iugoslávia em 1920 e passa a atuar no Partido Comunista Nacional. Em 1928 é preso e acusado de subversão. Depois de cumprir a pena vai para Moscou, Paris e luta na guerra civil espanhola. Em 1939 volta clandestinamente à Iugoslávia e defende a neutralidade do país na Segunda Guerra Mundial. Durante a invasão alemã passa a usar o cognome Tito e organiza a resistência com o Comitê Antifascista de Libertação Nacional. Em 1943 é proclamado presidente do governo provisório. Unificador das nacionalidades iugoslavas e fundador da República Popular da Iugoslávia. Apesar das rivalidades étnicas entre as nacionalidades que compõem a Iugoslávia, consegue mantê-las unificadas sem grandes tensões. Sua resistência à política soviética, aliada à posterior colaboração com as potência ocidentais, lhe vale a acusação de traidor do campo socialista.
Alemanha Oriental - Em 1945 é fundado o Partido Socialista Unificado, com a fusão dos partidos Comunista e Social-Democrata da zona de ocupação soviética. O partido cria em 1948 o Conselho Geral do Povo Alemão, como reação à pressão anglo-americana para a integração da parte oeste à Europa ocidental. Berlim, cidade dividida em zonas de ocupação das potências vitoriosas na Segunda Guerra, tem seu acesso por terra ao Ocidente bloqueado pelos soviéticos. Os Estados Unidos mantêm a zona sob sua ocupação com uma ponte-aérea até fevereiro de 1949. Em outubro é proclamada a República Democrática Alemã (RDA). Planos econômicos mais flexíveis e uma agressiva política comercial em direção aos países do Comecon e aos novos Estados independentes transformam a RDA no país mais desenvolvido do leste. A partir dos anos 70, amplia contatos e relações com a capitalista República Federal da Alemanha.
Construção do Muro de Berlim - Ainda dividida em zonas e cercada por território da República Democrática Alemã, a antiga capital do Reich vive nos anos seguintes ao fim do bloqueio uma competição entre os estilos de vida comunista, no leste, e capitalista, no oeste. Em 1958 Moscou sugere o fim da presença das forças de ocupação, o que é interpretado no Ocidente como manobra para incorporar a cidade à RDA. Em 13 de agosto de 1961, para interromper o fluxo de alemães orientais que buscam uma vida melhor no Ocidente, tropas da URSS e da RDA fecham 68 dos 80 pontos de passagem entre a zona soviética e o resto da cidade. Em uma noite está erguido o Muro.
Hungria - O Partido dos Pequenos Proprietários vence as eleições parlamentares de 1945. Mas em 1948, a fusão dos partidos Socialista e Comunista permite sua vitória eleitoral. O novo governo confisca os bens da Igreja e dos industriais, assim como dos comerciantes e latifundiários que apoiaram a guerra. Realiza a reforma agrária e incentiva um forte movimento cooperativista.
Levante de Budapeste - A desestalinização, em 1956, conduz a levantes populares e à derrubada do governo, em outubro. O novo governo, de tendência nacionalista, proclama a neutralidade da Hungria e sua retirada do Pacto de Varsóvia. Tropas soviéticas invadem o país em novembro e instalam o governo de Janos Kadar. Sob sua liderança, o regime inicia um lento processo de refomas que afasta a Hungria do bloco soviético.
Bulgária - Decreta o fim da monarquia por meio de um plebiscito organizado pelos comunistas em 1946. Forma-se um novo governo de maioria comunista, que logo depois se transforma numa ditadura nos moldes soviéticos, com a eliminação das demais forças políticas. Bancos, indústria e comércio são nacionalizados e é realizada a reforma agrária. É implantada uma política de industrialização rápida.
Albânia - Em 1945 é instaurado o governo da Frente Popular que comandou a resistência contra os nazistas. Os comunistas do Partido do Trabalho assumem a direção, legitimados por sua participação na guerra, e instauram uma ditadura sob a liderança de Enver Hoxha. Realizam a reforma agrária e tentam sem êxito executar um plano de industrialização. O país rompe com a União Soviética em 1961, por divergir da política de coexistência pacífica com o Ocidente lançada por Moscou, e mantém a fidelidade à imagem de Stalin. Retira-se do Pacto de Varsóvia em 1968, em protesto contra a invasão da Tchecoslováquia por tropas soviéticas.
Polônia - O Comitê de Lublin, apoiado pela URSS, proclama um governo provisório em 1945. O bloco partidário liderado pelos comunistas vence as eleições de 1947, abrindo caminho para a implantação de uma ditadura em 1948. O governo nacionaliza bancos, fábricas e grandes propriedades rurais, mas preserva a propriedade dos pequenos agricultores. Uma insurreição operária eclode em Poznan, em 1956, acelerando o processo de desestalinização. Novos movimentos de oposição ocorrem nos anos 60, resultando na insurreição operária de Gdansk em 1970.
Tchecoslováquia - O Partido Comunista vence as eleições de 1946 e forma um governo de unidade nacional. Mas surgem divergências em torno da aceitação do Plano Marshall, em 1947, e os socialistas recusam a fusão com o Partido Comunista, abrindo uma crise de governo. Em 1948 os comunistas, depois de nova vitória eleitoral, instauram uma ditadura com apoio da União Soviética.
Primavera de Praga - A desestalinização pós-1956 conduz a reformas tímidas na economia e na política, estimulando movimentos populares. Estes desembocam, em janeiro de 1968, na substituição do governo e na adoção de reformas democratizantes sob a liderança de Alexander Dubcek, que prega a criação de um "socialismo de rosto humano". O movimento é sufocado em agosto de 1968 pela invasão das tropas soviéticas.
Romênia - A Frente Nacional Democrática, formada por comunistas, socialistas e pela Frente dos Camponeses, vence as eleições de 1946. O rei abdica e é proclamada a República em 1947. Em 1948 é fundado o Partido Operário Romeno (comunista), que passa a controlar o Estado. Realiza a reforma agrária e executa um plano de industrialização. A partir de 1956, afasta-se do controle soviético. Mantém neutralidade em relação ao conflito sino-soviético, adota posições nacionalistas frente à URSS e condena a invasão da Tchecoslováquia em 1968.

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