domingo, 1 de julho de 2012

texto para Ensino Médio: IMPÉRIO BRASILEIRO

O PRIMEIRO REINADO (1822/1831)


O primeiro reinado é um período de transição, segundo alguns historiadores brasileiros, visto que muitas estruturas coloniais foram mantidas e, o próprio Imperador era oriundo da elite portuguesa colonizadora.
Economicamente o Brasil estava vivenciando uma crise econômica, pelo fato de seus principais produtos - açúcar, algodão, tabaco, couro - estarem em baixa no mercado mundial. Assim sendo, o Imperador tinha muitos problemas a resolver, o primeiro deles era ser reconhecido tanto interna como externamente.

·         o reconhecimento interno: a resistência a autoridade do Imperador não foi pequena. Como o país recém-independente não dispunha de exército organizado, nem de contingente militar experiente e  suficiente para sufocar possíveis revoltas, D. Pedro e  seus partidários contrataram mercenários estrangeiros que tiveram participação decisiva, como John Grenfell, John Taylor, David Jewet, Pierre Labatut, Lord Cochrane e outros. As guerras mais violentas se deram na Bahia, Pará e Província Cisplatina.
·         reconhecimento externo: o Brasil não precisou enfrentar nenhuma guerra para ser reconhecido externamente, bastaram alguns acordos para tudo ficar acertado. O primeiro a reconhecer o Brasil foram os  EUA, interessados em conseguir privilégios no mercado brasileiro. Logo em seguida veio a Inglaterra, que visava manter seus privilégios e, se possível, aumentá-los. A Portugal  não restava outra saída senão negociar com o Brasil. Para reconhecê-lo exigiu que D. João VI fosse aclamado imperador e que o Brasil saldasse uma dívida com a Inglaterra, em nome de Portugual, de 2 milhões de libras esterlinas.
Ao mesmo tempo em que se procurava reconhecimento era primordial organizar a vida política da nação, para isso D. Pedro iniciou os trabalhos da Assembléia Constituinte em 1823. Os grupos políticos dividiram-se em três tendências: moderados (adeptos dos 3 poderes); exaltados (federalistas) e portugueses (defendiam o absolutismo). O anteprojeto da Constituição teve como base a Constituição americana, por isso suas idéias básicas eram: a divisão de poderes, proibição de dissolução do Parlamento, voto censitário (rendas).
D. Pedro, ao receber o ante projeto, se irritou com as propostas e dissolveu a Assembléia. Este episódio ficou conhecido como a “Noite da Agonia”.
O Imperador resolve ele mesmo elaborar uma Constituição e, em 1824 outorga ao povo brasileiro sua primeira Constituição, que tinha como principais características:

·         a forma de governo era a Monarquia Hereditária Constitucional e Representativa.
·         estabelecimento de 4 poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador.
·         voto censitário.
·         a igreja oficial do Estado era a Católica, e esta estava presa à autoridade do Imperador. - PADROADO.
·        
A dissolução da Assembléia Constituinte e a  Outorga da Constituição causaram grande descontentamento da classe política do Brasil e da  população em geral. Após estes fatos, D. Pedro vai pouco a pouco tornando-se autoritário e acaba perdendo apoio para governar, sendo coagido a abdicar em 1831.
Confederação do Equador: revolta iniciada em Pernambuco, com ideais republicanos e federalistas. A causa principal foi a outorga da Constituição. Várias províncias aderiram ao movimento - Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará - mas logo em seguida foram dominadas e Pernambuco ficou isolado na luta. D. Pedro contratou mercenários e rapidamente o movimento foi debelado. Muitos líderes foram executados, entre eles Frei Caneca.
Guerra da Cisplatina: conflito envolvendo Brasil e Argentina pela disputa da região da Cisplatina. Esta guerra desagradou os brasileiros porque para financiar a guerra houve aumento de impostos. Além disso, o Brasil nem ficou com a região. Devido a intervenção da Inglaterra, em 1828, foi criado o Estado Oriental do Uruguai, pondo fim momentaneamente aos conflitos no Prata.
Devido a estes acontecimentos o governo de D. Pedro ficou bastante fragilizado, uma vez que o Imperador perdeu apoio da elite agrária e da população. Para piorar a situação, um jornalista da oposição, Libero Badaró, é assassinado e a culpa recai sobre D. Pedro.
Em fins de 1830, o Imperador, tentando recuperar seu prestígio, empreendeu uma viagem a Minas Gerais, onde foi friamente recebido. No Rio de Janeiro, os portugueses prepararam homenagens para receber D. Pedro que foram prejudicadas pelos brasileiros descontentes: aconteceria a “Noite das Garrafadas” (12 de março de 1831).
Na madrugada do dia 7 de abril de 1831, D. Pedro abdicava em favor de seu filho Pedro de Alcantara, na época um menino de cinco anos.

PERÍODO REGENCIAL (1831 - 1840)


A abdicação de D.Pedro I gerou um clima de euforia entre políticos brasileiros. Muitos acreditavam que era possível iniciar uma série de mudanças na vida política do país. Era a verdadeira comemoração da independência. Por outro lado, era necessário tomar cuidado para que a ausência de um poder central forte não determinasse uma onda de revoltas .
Nas províncias de um modo geral havia um profundo descontentamento em relação ao centralismo político-administrativo do Império no Rio de Janeiro. Tal descontentamento foi motivo para várias revoltas, algumas de caráter social, pelo abandono a que estavam relegadas as populações das regiões mais distantes dos centros decisórios da nação.

Assim que D.Pedro abdicou, formaram-se no país três grupos políticos:

·         Moderados: defendiam uma monarquia constitucional representativa, formado principalmente por grandes proprietários de terras.
·         Exaltados: defendiam princípios federalistas e republicanos, formado por classes urbanas.
·         Restauradores: defendiam o absolutismo e a volta de D.Pedro, formado por portugueses radicados no Brasil.

Pela Constituição de 1824, na falta de Imperador e na impossibilidade do herdeiro assumir, seriam escolhidos três regentes para governar até a posse do herdeiro legítimo

Regência Trina Provisória (1831)


Quando D.Pedro abdicou, a Assembléia estava em férias, e deputados e senadores que estavam na capital escolherem regentes de caráter provisório. Os três escolhidos eram de tendências conservadoras, sendo dois do partido moderado - Nicolau Campo Vargueiro e Brigadeiro Francisco de Lima e Silva - e um do partido restaurado - José Joaquim Carneiro de Campos ( Marquês de Caravelas).
Essa regência governou o país por pouco mais de dois meses. Apesar do pouco tempo, algumas decisões importantes foram tomadas no período. Houve a reintegração do Ministério Brasileiro, restringiu-se o poder moderador e foi concedida anistia aos presos políticos.
Ao mesmo tempo, exaltados e restauradores envolviam-se em conflitos e revoltas na capital do país.

Regência Permanente (1831/1835)


Na escolha dos regentes permanentes os moderados, então no poder, deram prioridade para a conciliação geográfica de forma a permitir a participação de políticos tanto do sul quanto do norte/nordeste.
A regência permanente contou com a participação do Brigadeiro Francisco de Lima e Silva e o deputado José da Costa Carvalho - representando a aristocracia agrária do sul - e João Braúlio Muniz - representando a aristocracia agrária do nordeste.
O clima de agitação que tomava conta do país exigia que o ministério da Justiça responsável pela manutenção da ordem, fosse ocupado por alguém de bastante expressão e capacidade. O escolhido, o padre Diogo Antonio Feijó, recebeu amplos poderes para sufocar as rebeliões que se espalhavam pelo país.
Feijó criou a Guarda Nacional, em 1832, que tinha como objetivos: diminuir a área de atuação do exército - foco de exaltados - e aumentar o poder dos proprietários, já que os membros da Guarda deveriam ser proprietários de terras. Além de fazerem parte da Guarda os proprietários deveriam prover capital para a manutenção das tropas. Isto fez com que Feijó criasse a titulação de Coronel para os proprietários que auxiliassem no empreendimento.
Porém Feijó acabou se desentendo com José Bonifácio, político de grande expressão no cenário nacional, e acabou sendo destituído do cargo de ministro da Justiça.
Outro tema bastante frequente nos debates parlamentares era a necessidade de reforma constitucional. Exaltados e Moderados sabiam das limitações da Constituição de 1824. No entanto, havia sérias divergências entre eles, pois os exaltados queriam implantar suas idéias federalistas enquanto os moderados defendiam o centralismo. Como todas as decisões passavam pela aprovação do Senado e este era um reduto de restauradores, houve um acordo entre os três grupos e, em agosto de 1834 foram aprovadas as reformas por meio de um Ato Adicional na Constituição, que tinha como principais atributos:.

·         criação das Assembléias Legislativas Provinciais.
·         extinção do Conselho de Estado ou Conselho de Procuradores das Províncias.
·         a cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, tornou-se município neutro.
·         o Senado continuou sendo vitalício.
·         a Regência UNA, eleita pelo voto direto.

O Ato Adicional cumpri então seu papel de conciliação, cedendo autonomia para as províncias como queriam os exaltados, extinguindo o Conselho de Estado como queriam os moderados e mantendo a vitaliciedade do Senado como queriam os Restauradores.
A morte de Dom Pedro, em Paris, alterou a estrutura dos partidos brasileiros. Os restauradores se uniram a alguns moderados formando o partido Conservador. Os exaltados e alguns moderados descontentes se uniram e formaram o partido Liberal. Estes dois partidos a partir de 1834, vão disputar pelo poder político até a Proclamação da República em 1889.

Regência do Padre Feijó (1835/1837)


O governo do padre Feijó foi agitado. Eleito pelo partido liberal com uma pequena vantagem, Feijó não conseguiu base parlamentar para desenvolver seu governo. Nas eleições  parlamentares de 1836, os conservadores estabeleceram maioria na Câmara. Sofrendo forte oposição na Câmara, Feijó encontrava muitas dificuldades para governar o país. Além disso, duas grandes revoltas provinciais ocorreram durante seu governo: a Farroupilha, no Rio Grande do Sul e a Cabanagem, no Pará.
Isolado politicamente, atacado pela Câmara, incapaz de sufocar as revoltas que se espalhavam pelo país e adoentado, Feijó renunciou ao mandato em 1837. Seu substituto foi o conservador Araújo Lima.

Regência de Araújo Lima


Durante sua regência foram levadas a efeito as mudanças políticas que fortaleceram os conservadores no poder: criou-se a Lei da Interpretação do Ato Adicional, que tinha como objetivo limitar o poder das Assembléias Provinciais.
Mesmo com todas as condições para exercer o controle do poder, Araújo Lima não conseguiu evitar a eclosão de mais duas revoltas: a Sabinada, na Bahia e a Balaiada, no Maranhão.
Na medida que revoltas se sucediam pelo país, crescia a idéia para solucionar tantas revoltas, protestos e manifestações: era a ascensão de Pedro de Alcântara ao poder. No entanto, o herdeiro não possuía poder e idade necessária para assumir o trono.
Os liberais perceberam a chance de voltar ao poder e fundaram o Clube da Maioridade.  Apresentava-se a proposta de emancipação de Pedro de Alcântara como solução para as manifestações separatistas que assolavam o país. Indagado pelo regente sobre sua disposição em assumir a Coroa antecipadamente, Pedro teria respondido: “quero já!!”. Aprovada a antecipação pela Câmara, o imperador foi coroado em julho de 1840, com 15 anos de idade.

Revoltas Regenciais


Cabanagem - Pará (1835 - 1840)

A população do Pará vivia isolada do restante do país até pela geografia da região. As condições miseráveis em que vivia a população ribeirinha (cabanos) já havia provocado vários protestos e manifestações, como a que fora reprimida por Grenfell em 1823, quando da luta pelo reconhecimento da independência.
Em 1834 iniciou-se em Belém uma grande revolta popular, sob a liderança dos irmãos Vinagre (Francisco Pedro, Antonio Raimundo e José). Cercando o palácio do governo os revoltosos mataram o presidente de província, Bernardo de Souza Lobo e, instituem Clemente Malcher como o novo governador.
Declarando-se fiel ao imperador e prometendo governar até a maioridade de D.Pedro, Malcher passou a reprimir os elementos mais radicais dos cabanos. Novamente a revolta tomou conta de Belém, Malcher foi deposto e morto. O poder foi entregue a Francisco Pedro Vinagre.
Francisco Pedro não conseguiu pacificar a região e o governo regencial enviou tropas para pôr fim ao conflito. A aproximação de tropas determinou uma onda de saques e depredações, principalmente contra estabelecimentos pertencentes a portugueses.
Chegou então a Belém um forte contingente militar comandado por Francisco José Soares de Andréia, que conseguiu tomar a cidade. Os cabanos ainda resistiram no interior, porém aos poucos vão sendo derrotados e dizimados. Cerca de trinta mil pessoas morreram e, apesar da falta de orientação que caracterizou o movimento, os cabanos conseguiram exercer o controle provincial por algum tempo.

Balaiada - Maranhão (1838 - 1840)

Também no Maranhão a população havia participado ativamente do processo de expulsão das autoridades portuguesas durante as lutas pela independência em 1823.
Porém, como em outras regiões, reinava um clima de decepção, pois a independência não conseguira melhorar as condições de vida da população nem a economia da região.
A luta política no Maranhão era travada entre dois grupos políticos: os bem-te-vis - liberais exaltados- e os cabanos - conservadores. Em muitas ocasiões a luta deixava de ser política e passava a ser armada. Após cada eleição sucediam-se os crimes políticos.
          A maior parte da população do Maranhão era composta de negros e pequenos agricultores. Muitos negros aproveitavam-se da instabilidade reinante na região para fugir e formar quilombos. Os pequenos agricultores “sertanejos”, em geral, mulatos, eram a base das tropas que lutavam em defesa das facções políticas da região. Muitos grupos de sertanejos agiam de forma autônoma, invadindo fazendas e roubando gado. Em dezembro de 1838, o líder de um desses grupos, Raimundo Gomes, atacou uma cadeia no interior do Maranhão para libertar seu irmão. Receberam a adesão do grupo de Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, e do negro Cosme Bento, que liderava 3 mil negros. Em 1839 o grupo conseguiu tomar a cidade de Caxias, então capital do Maranhão, invadindo posteriormente outras localidades.
Em 1840 foi nomeado o então coronel Luís Alves de Lima e Silva como presidente do Maranhão com o objetivo de reprimir a revolta. Apoiado nos fazendeiros da região e aproveitando-se das rivalidades existentes entre os grupos de rebeldes, iniciou uma violenta repressão. Com a morte de Balaio, a rendição de Raimundo Gomes e a prisão de Cosme Bento, Luís Alves de Lima e Silva foi condecorado com o título de “Barão de Caxias” pelo imperador.

Sabinada - Bahia (1837 - 1840)

A Bahia foi uma região brasileira onde a luta pela independência travou-se de forma mais intensa. Com forte participação popular, as tropas portuguesas foram expulsas. Porém, com o passar do tempo a população percebeu que pouca coisa havia mudado com a independência. Assim, várias manifestações de descontentamento ocorreram durante o 1º Reinado e mesmo no início do período regencial.
Em 1835, ocorreu a revolta dos malês, escravos de origem sudanesa que professavam a fé islâmica. Milhares de negros e mestiços espalharam o pânico entre os proprietários de terras. A revolta foi duramente reprimida.
Em 1837, em Salvador, ocorreu um levante popular e de profissionais liberais liderados pelo médico Francisco Sabino da Rocha Vieira. Os revoltosos defendiam a separação temporária da Bahia até que D.Pedro assumisse o trono. O movimento, porém, restringia-se a Salvador.
Preocupado com a possibilidade de expansão do movimento, o regente Araújo Lima determinou uma violenta repressão apoiada pelos senhores de terra e de engenhos da Bahia. Os principais líderes do movimento foram mortos.

Farroupilha - Rio Grande Do Sul (1835 - 1845)
                                              
O Rio Grande do Sul teve sua formação econômica voltada para o atendimento das necessidades do mercado interno. Sua produção de charque e couro abastecia as regiões agro-exportadoras do país.
Desde a independência, porém, a economia rio-grandense enfrentava sérios problemas. Havia uma pesada tributação sobre os produtos da região ao mesmo tempo em que as taxas de importação baixavam. Assim, os grandes proprietários rurais preferiam adquirir produtos importados do mercado platino, especialmente a Argentina, do que os produtos do Rio Grande do Sul. Por outro lado, a produção gaúcha baseava-se no trabalho livre e progredia sempre.
Desenvolveu-se, assim, entre os pecuaristas gaúchos, um forte sentimento em defesa de seus interesses que se confundia com uma formação histórica diferenciada e com o republicanismo próprio da área platina. Organizados em sua Assembléia Legislativa, os políticos rio-grandenses passaram a opor-se aos presidentes provinciais nomeados pelo governo regencial. Liderados por Bento Gonçalves, os farrapos ou farroupilhas, como eram chamados os revoltosos, invadiram Porto Alegre e destituíram o presidente da província. Tinha início a mais duradoura revolta histórica do país.
 Em 1836 proclamou-se a República do Piratini, no Rio Grande do Sul. Os combates com as forças legalistas se acirraram. Bento Gonçalves foi preso e enviado para a Bahia de onde fugiu ajudado pelos baianos radicais da Sabinada.
Em 1837 os revoltosos passaram a contar com a ajuda do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi que, juntamente com Davi Canabarro, invadiram Santa Catarina, dominando Laguna, onde proclamaram a República Juliana. O movimento atingia seu ponto máximo.
Entretanto, isolados do país passaram a enfrentar sérias dificuldades econômicas com a queda de venda de charque e couro. Com a ascensão e coroação de D.Pedro II, tentou-se pacificar a região, sem sucesso, porém.
         Em 1842 foi nomeado presidente da província Luís Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias, que já havia sufocado a Balaiada no Maranhão e a Revolução Liberal em São Paulo e Minas Gerais. Caxias conseguiu o fim da revolta negociando com os revoltosos. O governo central fez inúmeras concessões aos farrapos: anistia geral, incorporação dos soldados e oficiais ao exército imperial, devolução de terras confiscadas e libertação dos escravos que lutaram ao lado dos revoltosos.




REVOLTAS REGENCIAIS RESUMO

Nome
Período
Local
Líderes
Causa
Resultado
Cabanagem
1835 - 1840
Pará
Irmãos Vinagre (Francisco, Antônio e José)
Nomeação de um novo presidente da província (Bernardo de Souza Lobo) profundamente impopular
Foram vencidos pelas tropas do governo (Francisco José Soares de Andréia)
Balaiada
1838 - 1841
Maranhão
Manuel F. dos Anjos Ferreira (Balaio); Raimundo Gomes e Cosme Bento
Rivalidades Políticas entre os liberais (bem-te-vis) e conservadores (cabanos)
Foram derrotados por Luís Alves de Lima e Silva
Sabinada
1837 - 1840
Bahia
Francisco Sabino da Rocha Vieira
Separação temporária da Bahia até a maioridade
Os principais líderes do movimento foram mortos
Farroupilha
1835 -1845
Rio Grande do Sul
Bento Gonçalves, Davi Canabarro e José Garibaldi
Maior autonomia para as províncias
Alta tributação do charque
Os farroupilhas fizeram um acordo com Caxias



SEGUNDO REINADO (1840 -1889)


            Desde o início do Segundo Reinado até a proclamação da República, dois partidos políticos disputavam o poder e nele se revezavam. Eram o Partido Liberal e o Partido Conservador. Os programas e objetivos dos liberais e conservadores assemelhavam-se bastante, pois, na realidade os dois partidos não representavam interesses de diferentes classes sociais, mas de setores distintos de um mesmo grupo social – a elite econômica da nação.
            Durante os 49 anos de governo de Dom Pedro II, o país conheceu uma razoável estabilidade política interna e um desenvolvimento social e econômico considerável, principalmente a partir de 1850, com a produção cafeeira e o surgimento das primeiras indústrias.
            A segunda metade do século XIX é marcada por transformações econômicas, sociais e políticas que ocorreram em função da lavoura cafeeira. Ao tornar-se o principal produto da economia brasileira, o café provocou mudanças decisivas que permitiram, inclusive, a utilização do trabalho livre no Brasil.

Economia do 2º Reinado

CAFEICULTURA

           O café constituiu-se no grande elemento estabilizador da economia e das finanças brasileiras durante o 2º reinado.
           Introduzido no Brasil em meados do século XVIII, na região de Belém do Pará, chegava no mesmo século ao Rio de Janeiro, mais como ornamentação do que com objetivos econômicos. No entanto, começava nessa época a implantar-se o hábito do consumo de café na Europa e nas Américas.           
         A primeira grande região produtora de café foi o Vale do Paraíba. Os cafeicultores da região implantaram uma estrutura muito parecida com a dos engenhos: escravidão e auto-suficiência. Sua produtividade não era muito elevada e não havia preocupação com as técnicas de plantio. A partir de 1850, com a aprovação da Lei de Terras, os terrenos só podiam ser adquiridos pela compra e não mais por incorporação pura e simples.
            Até 1880 a região do Vale do Paraíba foi a maior produtora de café do país. Porém, o conservadorismo dos fazendeiros da região e as técnicas rudimentares determinaram o esgotamento do solo e a queda da produção.
          Na segunda metade do século XIX o café tomou a direção de São Paulo, atingindo a região de Campinas e chegando a Ribeirão Preto. Iniciava-se a produção do Oeste Paulista. Como a expansão da cafeicultura na região deu-se após a abolição do tráfico de escravos pela Lei Euzébio de Queiróz (1850), os fazendeiros lançaram mão do trabalho de imigrantes.
          De um modo geral, os fazendeiros do oeste paulista apresentavam uma visão mais dinâmica de seus negócios. Suas práticas agrícolas eram  mais modernas: utilizavam o arado e máquinas de beneficiamento de café. Muitos investiram em outros setores, diversificando suas atividades.
         Aos poucos, então, a cafeicultura foi introduzindo modificações na estrutura do país, como a modernização de portos, a melhoria do sistema de transportes com a introdução de ferrovias, a expansão do sistema bancário e a substituição do trabalho escravo pelo assalariado.

A Abolição

No início do século XIX, com o desenvolvimento da Revolução industrial na Europa e a conseqüente necessidade de aumento de mercados consumidores, ao lado das revoluções sociais que defendiam os princípios de igualdade entre os homens, a escravidão passou a ser duramente atacada.
         Os ingleses vinham exercendo forte pressão sobre o Brasil para que fosse abolido o tráfico de escravos, principal elemento de reposição de mão-de-obra escrava no país.
          Em 1810, a Inglaterra exigiu de Portugal a abolição do tráfico. Em 1827, quando do reconhecimento da   independência, novamente a Inglaterra exigiu essa medida. Em 1831, foi aprovada uma lei extinguindo a tráfico de escravos para o Brasil, porém, o contrabando era intenso, e a lei ficou sem efeito.
          Em 1845, o parlamento inglês aprovou o Bill Aberdeen, uma lei que autorizava o aprisionamento de navios negreiros em qualquer parte do oceano. A pressão inglesa determinou que em 1850 fosse aprovada no Brasil a Lei Euzébio de Queiróz, que estabeleceu a suspensão em definitivo do tráfico escravo para o Brasil.
         A aprovação dessa lei e a Guerra do Paraguai contribuíram decisivamente para que se iniciasse o movimento abolicionista. Inicialmente a luta pela abolição era feita por clubes que promoviam debates, manifestações e arrecadações de fundos para a compra de alforrias.
No entanto, para que a abolição acontecesse seria fundamental a aprovação de leis, o que era dificultado pela composição do Legislativo brasileiro: a aristocracia rural, proprietária de escravos. A pressão da sociedade sobre os deputados era grande, mas esbarrava num empecilho: o escravo era um “bem adquirido” pelo proprietário, então, deveria ser acompanhada de uma indenização ao seu antigo proprietário.
Depois de uma intensa campanha popular, foi aprovada a Lei do Ventre Livre (1871), ou Lei Visconde do Rio Branco. Por esta lei determinava-se a libertação dos escravos nascidos a partir de então mediante indenização ao fazendeiro ou, se este preferisse, mediante a permanência do negro trabalhando na fazenda até completar 21 anos de idade. Percebe-se claramente o caráter dúbio da lei; “liberta o escravo, mas este continua com o senhor”.
          A partir de 1880 o movimento intensificou-se com a ampla participação da sociedade. Alguns grupos abolicionistas radicalizaram, atacando fazendas e libertando os escravos, como os Caifazes de São Paulo.
Em 1885 foi aprovada a Lei do Sexagenário ou Lei Saraiva-Cotegipe, que determinava a libertação do escravo com idade superior a 65 anos. A aprovação da lei ainda que não representasse muita coisa, tendo um caráter apenas protelatório, provocou a ruptura dos fazendeiros paulistas – que aprovaram a projeto - com a aristocracia tradicional, contrária à lei.
         A escravidão estava desgastada e sua abolição definitiva estava por acontecer. A 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea pela princesa Isabel, estabelecendo fim da escravidão no Brasil.
         O grande problema da abolição no Brasil é que houve muita preocupação em indenizar os fazendeiros e nenhuma com a situação do negro após a abolição. O resultado foi o fim da escravidão, mas a continuidade da discriminação econômica e social do negros.

Imigração

            Na segunda metade do século XIX as condições eram favoráveis à imigração para países como o Brasil. A revolução industrial provocara a urbanização e o êxodo rural, fazendo com que muitos antigos agricultores europeus perdessem suas terras, mudando-se para a cidade. Com o desemprego ameaçando suas famílias, muitos preferiam tentar a sorte em outras terras além mar. Também as guerras e as revoluções do século XIX eram um estímulo à vinda para  a América.
        Desde a vinda da Família Real para o Brasil chegavam imigrantes que se espalhavam em colônias pelo interior, sem influir decisivamente na economia do país.
        Porém, a expansão cafeeira e a Lei Euzébio de Queiróz determinaram novo afluxo de imigração para o país. O pioneiro dessa nova fase foi o fazendeiro paulista Senador Nicolau de Campo Vergueiro. Nessa primeira fase da imigração em larga escala, adotou-se o sistema de parceria. O imigrante ficava com a parte da produção, sem direito a salários. O sistema mostro-se ineficaz, pois muitos imigrantes mal conseguiam saldar suas dívidas ( viagem, empório, remédios) com o fazendeiro. Além disso, muitos imigrantes eram colocados em fazendas como escravos e submetidos a maus tratos e castigos. O número de imigrantes que abandonavam o país era muito grande. Alguns países como a Itália e a Alemanha suspenderam a emigração para o Brasil.
        Com a intervenção do Estado Brasileiro, iniciou-se a segunda fase da imigração. O Estado comprometia-se a pagar a viagem e os imigrantes deveriam receber salários. Assim era introduzido o trabalho assalariado. Além disso, o governo promoveu uma ocupação de terrenos devolutos na região sul, através da doação para imigrantes.


Industrialização

      Desde o período colonial houveram muitas dificuldades para a implantação de indústrias no Brasil. Inicialmente havia o pacto colonial, que fazia da colônia mera consumidora de artigos metropolitanos. Com o fim do pacto colonial e a conseqüente abertura dos portos, tornava-se muito difícil o estabelecimento de indústrias nacionais diante da concorrência dos produtos ingleses.
Com a proclamação da independência, a Inglaterra conseguiu impor-se economicamente sobre o Brasil e, com a renovação dos Tratados de 1810 em 1827, dificultou-se ainda mais qualquer tentativa de desenvolver indústrias no país.
      Porém, em 1844, devido a própria estrutura de arrecadação do Estado brasileiro, as indústrias foram incentivadas. Necessitando aumentar a arrecadação do Estado e sendo as taxas alfandegárias a principal fonte de arrecadação, o Ministro da Fazenda Manuel Alves Branco determinou um aumento das tarifas alfandegárias de mais de 3.000 artigos importados. As tarifas que giravam sempre em torno de 15%, passaram a  variar de 20% a 60%. Com o aumento do preço dos produtos importados, a Lei Alves Branco estimulou alguns empresários a investir no setor industrial.
      Em 1850, um outro acontecimento teve papel decisivo no surgimento de indústrias no país: a aprovação da Lei Euzébio de Queiróz. Com a proibição do tráfico, que mobilizava um grande volume de recursos, muitos empresários começavam a aplicar suas rendas no setor industrial.
Nesse contexto ocorreu no país um considerável surto industrial, conhecido como Era Mauá. Seu maior expoente foi Irineu Evangelista de Souza, o  Barão de Mauá, que, numa sociedade que defendia apenas seus produtos agrícolas, ousou investir em atividades industriais e financeiras.
Mauá foi responsável por empreendimentos como a primeira ferrovia brasileira ligando o Rio de Janeiro a Petrópolis, a companhia de navegação a vapor do Rio Amazonas, o serviço de iluminação a gás do Rio de Janeiro, além do Banco Mauá, com filiais em Montevidéu e Londres.
No entanto Mauá faliu, em grande parte devido ao descaso das classes políticas, mais interessadas em defender as atividades agrícolas e facilmente influenciadas pelo capital estrangeiro, notadamente o inglês, que não tinha interesse em desenvolvimento industrial em áreas como o Brasil que, pela Divisão Internacional do Trabalho, introduzida, deveriam ser fornecedoras de produtos tropicais e matérias-primas, além de consumidoras de produtos industrializados.


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