domingo, 4 de setembro de 2011

8ª séries: DITADURAS NA AMÉRICA LATINA (1960-1980)

Após a Segunda Guerra Mundial, a região assiste à instalação de diversas ditaduras com apoio dos EUA, sob o pretexto de combate ao comunismo. O advento da Guerra Fria acentua a tendência, originária do caudilhismo, de excluir as massas de qualquer participação política. As elites agrárias e, em alguns países, a nascente burguesia industrial aliam-se ao capital estrangeiro, em particular ao americano, para se consolidar no poder. Nesse período, as experiências democráticas são bastante restritas no continente. A política dos EUA, de Eisenhower a Nixon, favorece a permanência no poder de ditadores como o dominicano Leónidas Trujillo, o nicaragüense Anastasio Somoza, o haitiano François Duvalier ou o paraguaio Alfredo Stroessner; e golpes militares em Argentina, Uruguai e Brasil. Esses regimes prolongam-se até os anos 70, como aliados na luta contra o comunismo.
Fábrica de ditaduras - A instalação, em Washington, na década de 50, do Colégio Interamericano de Defesa, destinado a coordenar as atividades das Forças Armadas continentais, e a criação, em 1961, na Zona do Canal do Panamá, da Escola do Exército Americano para as Américas põem em prática a política anticomunista. Em dez anos, a Escola das Américas, verdadeiro centro formador de quadros para as ditaduras, diploma 33.147 oficiais latino-americanos.
ARGENTINA
Em 1943, após o golpe do general José Uriburu, o cel. Juan Domingo Perón, nomeado secretário do Trabalho, realiza reformas sociais e econômicas; mas é preso pelos militares, assustados com a sua popularidade. É libertado após intensa pressão popular, dirigida pela artista de rádio Eva Duarte. Em 1946, Perón vence as eleições e casa-se com Evita, que o ajuda a fazer um governo populista, firmando, com a indústria e os sindicatos, o Pacto Justicialista, que estabelece uma política de equilíbrio entre salários e preços, em troca da contenção de greves. Evita morre em 26/7/1952 e Perón, após enfrentar acusações de imoralidade e corrupção e frustrar vários golpes, é deposto em 1955 e parte para o Paraguai. A Argentina atravessa uma fase de governos militares que perdura até a volta do peronismo. Em 1973, Hector Campora elege-se prometendo renunciar em favor de Péron.
Juan Domingo Perón (1895-1974), estadista argentino, nasce em Lobos, província de Buenos Aires, e passa a infância na Patagônia. Em 1911 entra para a escola militar e em 1924 torna-se capitão. Participa em 1930 do golpe que derruba o presidente Hipólito Yrigoyen. Durante a Segunda Guerra, a associação militar Grupo de Oficiales Unidos (GOU), da qual Perón faz parte, se revolta contra a neutralidade da Argentina. Em 1943 o GOU derruba o presidente Ramón Castillo e Perón assume a Secretaria do Trabalho e Previdência (com categoria de ministério). Começa sua vertiginosa carreira política baseada na mobilização, muitas vezes demagógica, de operários e daqueles que vinham do campo para a cidade, os "descamisados". Organiza sindicatos e a Confederação Geral do Trabalho - proclama-se o "primeiro trabalhador". Em 1944 já acumula também a vice-presidência da República e o Ministério da Guerra. No ano seguinte é preso por pressão de militares mais conservadores e libertado uma semana depois graças a uma grande manifestação popular organizada por sua companheira Evita Perón, com quem se casa. É eleito presidente em 1946 e promovido a general pelo Congresso, pouco antes de assumir o governo. Implanta um programa social conhecido como "justicialismo". Proíbe os demais partidos e funda o Partido Peronista, "partido único da Revolução". Em 1949 passa a governar como ditador. Faz alterar a Constituição, intervém nas universidades, censura os meios de comunicação. É reeleito em 1951 com grande margem de votos. Sobrevive a um golpe violento à Casa Rosada em 1954, simula a renúncia mas continua no poder. No ano seguinte entra em conflito com a Igreja defendendo, entre outras coisas, o divórcio e é excomungado. É derrubado pela Marinha em 1955 e se exila na Espanha, de onde continua organizando simpatizantes. Tenta voltar à Argentina em 1964 mas é retido por autoridades brasileiras em uma escala no Rio de Janeiro e mandado de volta para Espanha. Já viúvo de Evita, casa-se com María Estela (Isabelita) Martínez. Em 1973 volta triunfalmene ao país e é eleito presidente pela terceira vez, tendo Isabelita como vice. Morre de enfarte aos 78 anos.
Regime militar - O velho líder volta a Buenos Aires e torna-se presidente. Mas uma onda crescente de atentados abala o país. Após sua morte, em 1974, assume sua vice e terceira esposa, María Estela (Isabelita) Martínez de Perón. A crise econômica desestabiliza seu governo; terroristas de esquerda e de direita promovem atentados, roubos, seqüestros e assassinatos. Em 1976, ela é deposta; assume o general Jorge Rafael Videla (29/3), que a coloca em prisão domiciliar. Começa a "guerra suja", responsável por prisões arbitrárias, torturas, seqüestros, assassinatos e desaparecimentos de oposicionistas.
Evita Perón (1919-1952), como fica conhecida Eva María Duarte, mulher de Juan Domingo Perón, presidente argentino. Filha de família pobre e quase sem instrução, torna-se um das figuras mais idolatradas da história argentina. Começa a trabalhar fazendo pontas em cinema e programas de rádio, passando depois a atuar com mais destaque. Ao conhecer o político Juan Domingo Perón, viúvo, passa a acompanhar de perto a atividade política. Em 1944 denuncia pela rádio a prisão de Perón, negada pelo governo. Evita mobiliza sindicalistas, organizando comícios que forçam as autoridades a libertá-lo. Casa-se com Perón pouco antes de ele ser eleito presidente da República (1946) e passa a atuar diretamente na política do país. Seguindo a linha populista de Perón, trabalha pelos "descamisados" e faz campanha pelos direitos femininos. Famosa por sua elegância e carisma, Evita atrai grande apoio das massas ao peronismo. Morre de leucemia e tem seu corpo embalsamado e exposto ao público na Federação Nacional dos Trabalhadores. Durante o golpe de Estado que derruba Perón, em 1955, seu corpo desaparece criando uma aura de mistério que só termina em 1971, quando é devolvido, pelo governo, a Perón, exilado na Espanha.
CHILE
Ao governo liberal do democrata-cristão Eduardo Frei Montaiva segue-se, em 1970, o do socialista Salvador Allende Gossens, eleito pela coalizão de esquerda Unidade Popular. A nacionalização das empresas estrangeiras, em especial de mineração do cobre, faz os EUA se empenharem na desestabilização do regime, principalmente depois do incremento das relações comerciais com a URSS e a China. O aumento da pressão americana impulsiona o golpe do general Augusto Pinochet Ugarte, em 11/9/1973, que culmina com a morte de Allende.
Sob Pinochet - O general nomeia-se chefe supremo do Estado e devolve a seus antigos donos as empresas nacionalizadas; só permanecem em poder do Estado as indústrias de valor estratégico: cobre, ferro, carvão e hidrelétricas. São adotadas medidas repressivas, denunciadas no exterior por violarem os direitos humanos. O repúdio internacional cresce com o atentado realizado em Washington, em 21/9/1976, pela DNA, a polícia política chilena, em que morrem o ex-chanceler e ex-embaixador nos EUA, Orlando Letelier, e sua secretária, Ronnie Moffti. A recusa de Santiago em punir o responsável, general Manuel Contreras, concorre para que a Assembléia Geral da ONU condene o regime.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.